terça-feira, 7 de abril de 2015

A amor não usa o ódio

Disse Jesus: "Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos." (Jo 13,34-35)

Recentemente entrei em debate com um grupo numa rede social. Um homem defensor da tradição e dos bons costumes estava irado com um vídeo onde um bispo defendia um posicionamento político diante da nossa realidade.

O homem revoltado acusava o bispo de ser comunista e de apoiar o governo comunista e sentenciou que o bispo estava excomungado. Muito mal-educado, xingou a todos e a tudo e condenou todos os seus opositores aos infernos.

Ultimamente, muitos católicos têm assumido uma postura muito guerreira e mal-humorada. Tornaram-se como cães de guarda da fé, mas perderam a capacidade de amar. Suas bocas só falam de condenações, excomunhões, comunistas devoradores de criancinhas e de padres que aderiram às trevas do maligno. Essa horda de gente mal amada e mal humorada se coloca como os fieis seguidores de Jesus Cristo. Dizem seguir a doutrina de Jesus, mas esquecem de seguir suas atitudes. Jesus amou, perdoou, educou, pacificou... Os mal-humorados constroem muros enquanto Jesus constrói pontes!

Nós, cristãos devemos aprender a conviver com o diferente. O combate ao mal dá-se através do testemunho e da prática de Jesus em nossas vidas: “Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos.” (Jo 13,35)

A denúncia da maldade deve ser realizada sem perder a ternura de Jesus Cristo. De nada adianta eu combater o mal tendo os mesmos sentimentos e atitudes do maligno. Deus veio para salvar o mundo: “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele.” (Jo 3,16-17)

Estando na cruz Jesus podia ter excomungado a todos: sacerdotes, escribas, soldados romanos e todo povo que gritara “crucifica-o”. No entanto, sem perder a ternura, Jesus manifesta seu profundo amor aprendido do Pai, dizendo: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc  23,34) Isso mesmo, Jesus não condena nem excomunga, apenas perdoa... Jesus não perde seu bom humor.

Assim, quem abraça o Mestre do amor deve combater a maldade utilizando as armas do amor, nunca as armas do ódio. O amor é o elemento principal da catolicidade e tudo o que combate o amor deve ser expurgado da vida dos católicos. Jesus deu a sua própria vida para nos salvar e para nos ensinar que só o amor é a atitude que constrói a paz e a justiça em nosso mundo. Quem quer seguir Jesus precisa assumir os riscos e as consequências do amor. É assim que combatemos o bom combate. Não podemos falar do amor através do ódio que condena o mundo. Só o amor de Jesus é que salva.



Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, vós sois o amor encarnado. Fazei que eu viva o vosso amor e não use as armas do ódio pensando assim fazer o bem. Só a vossa ternura e vosso bom humor podem trazer a paz ao nosso mundo. Dai-me a vossa paz. Assim seja!


Pe. Demetrius