terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Rezando como discípulo(a) de Jesus Mestre - Introdução

Disse Jesus: "Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que pedirem em meu nome." (Jo 15,16)

            Em minha vida de padre somada aos anos de seminário e à experiência da vida religiosa franciscana, pude experimentar muitas mudanças na Igreja.

         O que mais tem despertado a minha atenção nos últimos anos é o cansaço e o desânimo que atingiram os cristãos, principalmente os agentes de pastoral. Muita gente está desanimada com a Igreja e já não mais confia em seus pastores. São tantas as reclamações: padres burgueses , insensíveis e autoritários; bispos vivendo como príncipes e distantes dos pobres; comunidades individualistas e fechadas; falta de acolhimento nas igrejas; mulheres desvalorizadas na tradição católica; pedofilia; amor ao dinheiro; etc. Esses são apenas sintomas de uma realidade muita clara: estamos nos distanciando do Mestre e de seu Evangelho.

            Vendo pregações nas TVs católicas, ouvindo sermões nas rádios, lendo artigos em jornais, sites e revistas, participando de reuniões, cursos e toda sorte de atividade na Igreja, começo a perceber que o Jesus que pregamos é diferente do Jesus que o Novo Testamento nos apresenta. Pregamos um Jesus por vezes duro, distante da vida, rei, insensível, legalista, misógeno, etc... No entanto, o Novo Testamento nos revela Jesus profundamente livre, libertador, solidário, empático, defensor e promotor das mulheres, simples, pobre, humilde, apaixonado pela vida, etc.

            Nos últimos tempos, o Papa Francisco tem sido a grande voz profética no mundo e na Igreja. Seu amor por Jesus Mestre tem feito a Igreja redescobrir o Evangelho e o mundo redescobrir a esperança. Ele tem convocado a todos para o diálogo amoroso com Jesus Mestre através da leitura da Bíblia. 

            Por isso, precisamos redescobrir o Jesus do Novo Testamento. Ter contato com a Palavra de Deus é essencial.  Precisamos nos colocar na condição de Discípulos e Discípulas de Jesus e dialogar com o Mestre através de sua Palavra de Amor. A Leitura Orante da Bíblia (Lectio Divina) é um instrumento nessa tarefa de redescoberta da Pessoa de Jesus.

            Hoje, fala-se muito em leitura orante. São diversas as publicações sobre o assunto. Aqui apresento minha experiência de oração discipular em oito passos:

1. Preparar o ambiente
            
2. Invocar o Espírito Santo

3. Leitura da Palavra

4. Meditação

5. Oração

6. Contemplação

7. Compromisso

8. Despedida 

            É Jesus nosso Mestre de oração. Ele conduzirá nossa experiência de contato com sua Palavra. Ele se mostrará a nós do jeito que Ele é: caminho verdade e vida.

Por fim, faço minhas as palavras poéticas e proféticas de Dostoievski ao regressar da casa dos mortos, sua prisão com trabalhos forçados na Sibéria. Dostoievski afirmou: “Às vezes Deus me envia instantes de paz; nestes instantes, amo e sinto que sou amado; foi num desses momentos que compus para mim mesmo um credo, onde tudo é claro e sagrado. Este credo é muito simples. Ei-lo: creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu o digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha nele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade”.
            
Frei Demetrius Silva

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