quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Método de Leitura Bíblica

NOSSO MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA (Cf. CEBI - Centro de Estudos Bíblicos - http://www.cebi.org.br/ )

Para ler a Bíblia é fundamental ter claro o objetivo: "ouvir o mesmo Deus que falou ontem falar hoje", na diversidade da vida humana, nas experiências múltiplas das pessoas, das comunidades e dos grupos.

Há dois momentos principais no Estudo da Bíblia:

1) Exegese: ver o texto em seu contexto procurando o sentido original. O que Deus falou para o povo no passado e o que isso significou.

2) Hermenêutica: Ver o que o texto significa hoje, atualizando seu sentido. O que Deus nos fala hoje e o que isso significa.

Sugestões para a leitura da Bíblia:

1º Momento:  A EXEGESE (Ver o Texto em seu contexto)

O FATO BÍBLICO

1) Escolher um texto para estudar, estabelecer o início e o fim do texto. A delimitação, inicialmente, pode basear-se na subdivisão em capítulos e versículos de nossas Bíblias.

2)Considerar que a escolha de um texto, bem como todo o processo exegético, depende do lugar social e histórico do leitor e de suas opções de vida. Os pobres lêem a Bíblia diferente do ricos...

3) Ler e reler o texto. Não ter logo a preocupação de interpretar o sentido. Familiarizar-se com o texto, sinalizar o que chamou a atenção, anotar dúvidas e questionamentos.

Importante:
Não basta apenas ler o texto escolhido para o estudo. É fundamental ler todo o livro da Bíblia no qual o texto está inserido para saber o lugar que o texto em estudo ocupa no conjunto da obra.

4. Comparar duas ou três traduções. Através da discussão com outras pessoas procurar o porquê das diferenças entre as várias traduções. Quem puder, pesquisar as palavras diferentes no texto hebraico ou grego, conforme for o caso. Se quiser poderá fazer a própria tradução ou escolher a melhor tradução, sabendo que esta já é uma interpretação de um grupo, de uma escola, em geral feita por homens e mulheres.

5. Respeitar o que o texto diz, sem forçá-lo a dizer o que queremos ouvir. Não colocar nada a mais no texto. Não retirar nada no texto. Ver o texto do jeito que ele é.

O SIGNIFICADO BÍBLICO

6. Ter o cuidado para não passar imediatamente do texto bíblico para as situações concretas de hoje, correndo o risco de tirar conclusões precipitadas.

7. Procurar obter informações complementares sobre a geografia, as rotas comerciais, a economia, a agricultura, a história, a vida, a língua e os costumes do povo da Bíblia. Em geral, as Bíblias trazem notas introdutórias sobre cada livro. As informações contidas nessas notas podem nos ajudar a situar o texto no tempo e no espaço.

8. Tomar consciência de que o texto nasce da diversidade, da fragilidade e da provisoriedade da experiência de pessoas de carne e osso, em suas relações concretas marcadas pelas diferenças de grupo social, raça, idade, sexo, crença. Deus fala em nossa fragilidade.

9. Ter presente que a memória bíblica nem sempre guarda a marca concreta das pessoas com seu corpo, seu nome, sua voz, sua atuação. Isso exige ler o texto e ir além dele. Uma atenção especial deve ser dada às omissões e aos silêncios.

10. Ler a Bíblia a partir da realidade dos pobres e da luta pela vida. Deixar-se questionar pelas situações desumanas que ameaçam a natureza, atingindo especialmente o ser humano que se encontra ameaçado em seu direito mais elementar: o direito de viver. Ver quais as perguntas que o texto escolhido faz para sua realidade e as perguntas que a sua realidade faz para o texto.

Lembrar-se que a Bíblia é o livro da comunidade. Por isso, é importante fazer leitura e estudo comunitários, respeitando e acreditando na sua comunidade, no seu grupo de estudo.




2º Momento: HERMENÊUTICA (Método do CEBI)

A ATUALIZAÇÃO
1º Passo: partir da realidade (Lc 24,13-24):
Jesus encontra os dois amigos numa situação de medo e dispersão, de descrença e desespero. Eles estavam fugindo. As forças de morte, a cruz, tinham matado neles a esperança. Jesus se aproxima e caminha com eles, escuta a conversa e pergunta: "De que estão falando?" A ideologia dominante impedia-os de enxergar e de ter consciência crítica. "Nós esperávamos que ele fosse o libertador, mas..." (Lc 24,21).

O primeiro passo é este: aproximar-se das pessoas, escutar a realidade, os problemas; ser capaz de fazer perguntas que ajudem a olhar a realidade com um olhar mais crítico.
2º Passo: usar o texto da Bíblia (Lc 24,25-27):
Jesus usa a Bíblia não para dar uma aula sobre a Bíblia, mas para iluminar o problema que fazia sofrer seus dois amigos e, assim, esclarecer a situação que eles estavam vivendo. Com a ajuda da Bíblia, ele os situa dentro do projeto de Deus e mostra que a história não tinha escapado da mão de Deus.
O segundo passo é este: com a ajuda da Bíblia, iluminar a situação e transformar a cruz, sinal de morte, em sinal de vida e de esperança. Assim, aquilo que impedia de enxergar, torna-se agora luz e força na caminhada.

3º Passo: celebrar e partilhar na comunidade (Lc 24,28-32):
A Bíblia, ela por si, não abre os olhos. Mas faz arder o coração! (Lc 24,32). O que abre os olhos e faz os dois amigos perceberem a presença de Jesus, é o partir do pão, o gesto comunitário da partilha, a celebração. No momento em que é reconhecido, Jesus desaparece. Pois eles mesmos experimentam a ressurreição, renascem e caminham por si.
O terceiro passo é este: saber criar um ambiente orante de fé e de fraternidade, onde possa atuar o Espírito que nos faz entender o sentido das coisas que Jesus falou. É sobretudo neste ponto da celebração, que a prática das comunidades ajudou a reencontrar o antigo poço da Tradição para beber da sua água.

O resultado: ressuscitar e voltar para Jerusalém (Lc 24,33-35):
Tudo mudou nos dois discípulos. Eles mesmos ressuscitam, criam coragem e voltam para Jerusalém, onde continuam ativas as forças de morte que mataram Jesus, mas onde agora se manifestam as forças de vida na partilha da experiência de ressurreição. Coragem, em vez de medo. Retorno, em vez de fuga. Fé, em vez de descrença. Esperança, em vez de desespero. Consciência crítica, em vez de fatalismo frente ao poder. Liberdade, em vez de opressão. Numa palavra: vida, em vez de morte! Em vez da má noticia da morte de Jesus, a Boa Notícia da sua Ressurreição!

Obs: O resultado da leitura da Bíblia deve ser este: experimentar a presença viva de Jesus e do seu Espírito, presente no meio de nós. É ele que abre os olhos sobre a Bíblia e sobre a Realidade e leva a partilhar a experiência de Ressurreição, como até hoje acontece nos encontros comunitários.


1. Criar um ambiente calmo e recolhido, com silêncio ou música de fundo.
2. Ter uma atitude de fé e um espírito de oração.
2. Ler uma primeira vez, atendendo ao sentido geral do texto.
3. Fechar o livro e tentar lembrar aquilo que nos ficou desta primeira leitura.
4. Voltar a ler, com especial atenção a estes aspectos:
      * Que personagens intervêm no texto.
      * Qual a sua situação: pessoal, familiar, social e religiosa.
      * Quais as suas palavras e atitudes mais significativas.
      * Que muda nelas depois do encontro com Deus/Cristo.
      * Qual a imagem de Deus/Cristo que o texto me revela.
      * Que lições tiro de tudo isto para a minha vida.
5. Tempo de reflexão para concretizar bem o ponto 3, relendo o texto as vezes que for preciso.
6. Partilhar em família ou em grupo, se possível.
7. Rezar: oração espontânea, ou outras.

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