quinta-feira, 26 de junho de 2014

Oremos I


Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim,
Sois minha força, ternura sem fim!

Inundai minha alma com vossa ternura
Para que eu não pereça na noite escura.

Muitas vezes sou fraco, sou tolo e arrogante,
Mas em vós tudo muda, me torno orante.

Quando me sinto perdido e sem esperança,
Vem o vosso Evangelho e me restaura a confiança.

Hoje tomei consciência e recebi vossa luz,
Decidi vos seguir e carregar minha cruz!

Amém!


Pe. Demetrius Silva


terça-feira, 24 de junho de 2014

Quando a Tristeza bate...

Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência. Seu suor se tornou como gotas de sangue, que caíam no chão. Levantando-se da oração, Jesus foi para junto dos discípulos, e os encontrou dormindo, vencidos pela tristeza. (Lc 22,44-45)

O Cristão é alguém guiado pela alegria. Ser alegre não significa que não terei momentos de tristeza. A Tristeza nos abraça independente de nossa vontade, pois ninguém tem vontade de ser triste. Até mesmo os góticos querem um mundo livre da tristeza.

Há momentos em nossa vida em que a tristeza irrompe de maneira tão gritante que parece que vamos perder nossa vida. Um aperto no peito nos sufoca, um enorme peso nos ombros nos cansa profundamente e nossa cabeça insiste em pender para baixo. Nosso espírito torna-se sombrio e nossa mente não consegue pensar em coisas boas, mas apenas pensamentos negativos. A derrota é apenas a única coisa a ser enxergada no horizonte.

A tristeza, apesar de toda dor que ela traz, pode nos ajudar a crescer para sermos melhores e capazes de construir um ambiente melhor. A tristeza sempre nos leva a refletir e, se formos humildes, ela nos levará a dar respostas criativas e, no fim das contas, nos tornaremos melhores do que somos.

É na tristeza onde surgem os melhores poetas e artistas. Também os religiosos místicos e os grandes santos realizaram seu grande encontro com Deus nos momentos de tristeza profunda, onde a noite escura atingiu seu ponto mais nevrálgico. Paulo, Francisco, Tereza, Clara, Antonio, Agostinho, Tomás, etc… Todos passaram pela tristeza.

Mas o modelo principal dessa realidade sempre será nosso Mestre Jesus. Jesus também passou momentos de tristeza. E sempre reagiu de forma criativa fazendo da tristeza combustível para implantar o seu Reino de Amor. 

Jesus e seus primeiros discípulos passaram por muitos momentos de tristeza. E eles culminaram na cruz. Jesus nunca fugiu das dificuldades da própria vida. Assim, Ele nos ensina que diante da tristeza devemos assumir nossos sentimentos e pensamentos e, com humildade, perceber a aceitar as consequências de nossas ações e as dificuldades impostas pela vida e pelas circunstâncias.

Jesus também nos ensina que a tristeza revela nossas limitações. Na tristeza somos obrigados a nos aceitar do jeito que somos: com nossos defeitos e pecados. Novamente é aqui onde devemos ter humildade acima de tudo.

Se soubermos ser humildes diante da tristeza, como Jesus Mestre poderemos tirar proveito da tristeza e nos encontrarmos intimamente com Deus. Escutaremos sua voz no interior de nosso ser e poderemos sair da crise mais maduros e firmes no amor. Não devemos ser tristes, mas devemos tirar proveito da tristeza. Em Cristo, a noite escura da tristeza dará lugar ao dia mais claro onde a felicidade falará mais alto. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, diante da tristeza que assola meu coração vejo-me nu como Adão e Eva no Paraíso. Eu tomo consciência de meus pecados e das minhas limitações. Ajudai-me a tirar proveito da tristeza sendo criativo e poético em vosso amor. Que eu não perca a vossa ternura nem o brilho no olhar. Assim seja!

Pe. Demetrius Silva


sábado, 21 de junho de 2014

O Sentido do cansaço

Disse Jesus: Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve. (Mt 11,28-30)

Estou me sentido cansado. Fazer sempre as mesmas coisas, insistir sempre nas mesmas ideias. Comer sempre o arroz e feijão, morar sempre na mesma casa. “Geração vai, geração vem, e a terra permanece sempre a mesma. O sol se levanta, o sol se põe, voltando depressa para o lugar de onde novamente se levantará.” (Ecl 1,4-5).

Pensar e sentir a rotina da vida é angustiante e sempre pensamos a possibilidade de viver a vida de forma diferente. Novos empregos, novos amores, novas terras, novas amizades… Mudamos e tudo volta a ser como antes. O que há de errado com o mundo? Nada! Nada de errado com o mundo. O problema está em mim. O problema está em nós!

A crise que nos surge da rotina tem a ver com o sentido da vida que levamos. Queremos viver uma vida de aventuras onde cada dia é uma nova aventura. Quando vemos novelas e séries cada capítulo é uma novidade. Mas a vida real não é assim. A verdadeira aventura da vida é viver a rotina. A repetição que vivemos a cada dia é a verdadeira aventura de viver. 

Viver cada dia com sentido é o maior desafio de nossas vidas. Acordar, banhar, comer, beber, trabalhar, rezar, rir, chorar, vestir, sonhar, cozinhar, estudar, dormir… Em todas as coisas podemos viver com sentido profundo. 

Penso no Mestre Jesus. Ele viveu cada dia com pleno sentido. Até sua morte teve sentido. Viveu cada dia com a máxima intensidade e fez da rotina uma aventura de Salvação. Como aquele judeu-galileu conseguiu viver sua rotina sem luz elétrica, sem água encanada, sem geladeira, sem telefone, sem computador, sem carro, etc.? É que o sentido da vida não está nas coisas que temos. O sentido da vida está no gastar a própria vida para gerar vida àqueles que não tem vida!

Jesus Mestre nos ensina que se não partilhamos nossa vida, nós perdemos o sentido da vida e destinamos nossa vida ao fracasso total. As pessoas mais felizes são aquelas que se doam. Você pode até procurar, mas não vai encontrar felicidade entre aqueles que não se doam. 

O problema não é o cansaço que a rotina traz, mas é a falta de sentido que o cansaço tem quando não há doação de si mesmo. Jesus se cansou ao extremo de dar a vida na cruz e mesmo assim Ele é a garantia de nossa felicidade.

Para ser feliz de verdade basta gastarmos a vida fazendo o bem. Esse é o sentido da vida: gastar a própria vida para gerar vida àqueles que não tem vida! Seja esse o refrão de nossos corações. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim,  sois o sentido de minha vida e de todas as vidas. Fazei que eu saiba gastar a minha própria vida para gerar mais vida aos que não tem vida. E assim eu possa ser feliz em estar convosco para sempre. Assim seja!


Pe. Demetrius dos Santos Silva


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sobre Corpus Christi

No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus apra propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines perto de Liège, Bélgica em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses em Fosses e foi enterrada em Villiers.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparêncai de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.

Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácolo de Lieja, mais tarde o Papa Urbano IV.

O bispo Roberto focou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte, ao mesmo tempo o Papa ordenou, que um monge de nome João escrevesse o ofócio para essa ocasão. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ser a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte a quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costume e a o estendeu por toda a atual Alemanha.

O Papa Urbano IV, naquela época, tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto desta localidade está Bolsena, onde em 1263 ou 1264 aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais -onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa- em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que asistirem a Santa Missa e o ofício.

Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou um ofício -a liturgia das horas- a São Boa-ventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boa-ventura foi rasgando o seu em pedaços.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis -por João XXII- e assim a festa é estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida da Bélgica entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.

Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Nisto os cristãos expressam sua gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.


(Cf. História da Solenidade de Corpus Christi - catequisar.com.br)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Santo Antônio (repeteco)

E, desde menino, você conhece as Escrituras Sagradas, as quais lhe podem dar a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus. Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações. (2Tm 3,15-17)

Hoje cedo tive uma lembrança: uma amiga minha, senhora de muita fé e de bom humor, dizia-me que Santo Antônio fazia tantos milagres, que um dia seu superior o proibiu de fazer milagres. Um dia, passando perto da igreja, um pedreiro, que trabalhava na torre da igreja, desequilibrou-se e caiu. Como Santo Antônio estava proibido de fazer milagres, fez com que o pedreiro parasse no ar, e foi até seu superior e pediu autorização para fazer esse milagre. O superior consentiu, e Santo Antônio fez com que o pedreiro caísse num lugar macio.

Por que precisamos de histórias tão fantasiosas para crer? Percebia que quanto mais miraculosa era a história, mais nos afastávamos do que realmente foi Santo Antônio.

Antônio de Lisboa ou Antônio de Pádua ou Fernando de Bulhões ou, simplesmente, Santo Antônio. Santo Antônio é um dos santos mais amados de nosso povo. Mas sua história real é pouco conhecida. Sua fama gira em torno de milagres e casamentos.

No entanto Santo Antônio foi um grande estudioso e pregador da Palavra de Deus, defensor dos pobres, prediletos de Jesus. Amigo de São Francisco, seguidor de seu estilo de vida, seus sermões são fonte de Espiritualidade e vida, e revelam a mais profunda beleza da doutrina da Igreja, sendo chamado por esta de: Doutor Evangélico. Ele foi proclamado Doutor da Igreja em 1946, pelo Papa Pio XII.

Apaixonado pela Palavra de Deus, Santo Antônio foi estimulado por São Francisco para ensinar a Palavra e a Teologia Sagrada. E isso ele fez com todas as forças. Encontrando-se com Jesus na Bíblia, Santo Antônio encontrou Jesus entre os pobres e tornou-se Profeta do Evangelho. Seus sermões causaram o furor dos ricos e encantaram os mais pobres, pois, seguindo e exemplo de Jesus, Mestre do Evangelho, deu exemplo de humildade e pobreza. Antes de pregar coma boca, Santo Antônio pregava com a vida...

Como Biblista, Santo Antônio tinha grande intimidade com a Palavra de Deus. Navegava pela Palavra com maestria e dedicava horas e horas na meditação do Santo Evangelho. Sua interpretação das Sagradas Escrituras revela a verdade mais profunda que, ainda hoje, nos ajudam a compreender melhor a Bíblia e sua mensagem. Vamos a um exemplo:

Certa vez, num curso de Bíblia, um aluno perguntou-me sobre os dons de línguas citados nos Atos dos Apóstolos: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa.” (At 2,4). O aluno pensava que falar em outras línguas era falar línguas diferentes do português ou falar línguas dos anjos. Houve discussão na sala. Fiquei de pesquisar melhor sobre o assunto e nosso santo me ajudou. E então o que é falar em línguas?

Santo Antônio nos responde em seu sermão de Pentecostes, denunciando aqueles que pregam muito e pouco ou nada praticam:

“Quem está cheio do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos de Cristo, tais como a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência. Falamos por estas virtudes quando mostramos aos outros em nós mesmos. A língua é viva, quando as obras falam. Cesse, por favor, as palavras; falem as obras. Estamos cheios de palavras, mas vazios de obras e, por isso, somos amaldiçoados pelo Senhor. Ele mesmo amaldiçoou a figueira em que não encontrou fruto, mas somente folhas (Mt 21,19). Diz São Gregório: ‘Há uma lei para o pregador: que faça o que prega’.  (...) Falemos portanto, conforme o Espírito Santo nos tiver concedido que falemos, pedindo-lhe humilde e devotamente que nos derrame a sua graça.” (Pentecostes 15)

É isso: para Santo Antônio as línguas são as ações, as obras que fazemos para construir o Reino de Deus ensinado e manifestado por Jesus Mestre. De fato, quando fazemos o bem, toda pessoa percebe que somos de Deus e entende que fazer o bem é o grande ensinamento de Jesus. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu”. (Mt 5,16).

Santo Antônio nos mostra que a Palavra de Deus deve ser refletida, meditada, saboreada e praticada com amor. De nada adianta falar, falar... O mais importante é viver, viver em Cristo Jesus e seguir seu mandamento de amor na ajuda dos mais pobres e fracos.


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, fazei de mim, a exemplo de Santo Antônio, um discípulo apaixonado pela vossa Palavra. Que eu possa dedicar minha vida à luta pela justiça e cantar para sempre o vosso louvor. Assim seja!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Sobre a Catolicidade: Temos Papa II

Jesus disse: «Tragam alguns peixes que vocês acabaram de pescar.» Então Simão Pedro subiu na barca e arrastou a rede para a praia. (Jo 21,10-11)

Hoje nosso Papa é Francisco. Jorge Mario Bergoglio escolheu seu novo nome inspirado em São Francisco de Assis. Apesar de Jesuíta, sua inspiração franciscana é evidente: ternura, carinho, simplicidade, humildade e simpatia, muita simpatia. Apesar de sua inspiração franciscana, o Papa é realmente um jesuíta: disciplina, decisão, humildade e simplicidade, pregação e coragem, muita coragem.

O que mais tem impressionado o mundo é que Francisco é verdadeiramente um homem simples e de paz. O que mais tem incomodado os conservadores na Igreja é que Francisco é verdadeiramente um homem simples e de paz. 

Em 2009, um amigo me dizia que eu devia ser mais obediente ao Papa. Bento XVI valorizava alguns sinais como vestes tradicionais e a missa no rito tridentino. Esse amigo chegou a dizer que a missa celebrada em vernáculo era uma "missa defeituosa". E o Papa voltou a celebrar na forma tridentina e, por isso, eu deveria celebrar em latim e me vestir tradicionalmente.

Hoje, nosso Papa é Francisco, e aquele meu amigo disse que Francisco vai destruir a Igreja, pois ele não valoriza os sinais tradicionais e não celebra a missa tridentina. Francisco prefere o rito em vernáculo.

Como esse meu amigo, há muitas pessoas que falavam em amor ao Papa enquanto este reforçava sinais e ideias aceitas por aquelas. Quando surge um Papa que reforça ideias evangélicas que destoam de suas ideias, essas pessoas deixam de amar o Papa e demonstram uma profunda desobediência. Suas posições pessoais estão acima da fé que receberam dos apóstolos.

Nossa fé católica é apostólica. Assim, cremos que o Papa é o legítimo sucessor de Pedro. Por isso o amamos e depositamos nossa confiança nele, seja como ele for. Nesse sentido, o amor ao Papa é próprio da espiritualidade católica, e não há como ser católico sem nutrir um amor filial ao Papa. 

Àqueles que não amam o Papa Francisco fica um recado: vocês estão muito longe da fé católica e apostólica. É fácil amar quem concorda com nossas ideias. Para ser católico precisamos abandonar ideias e sentimentos que não condizem com os de Jesus Mestre. Jesus amou profundamente a Pedro e confiou a ele a direção da Igreja. Por isso amamos Francisco, simplesmente porque Jesus amou. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, quisestes que vosso rebanho fosse apascentado pelo apóstolo Pedro. Ensinai-me a amar os legítimos sucessores dos apóstolos, em especial, o bispo de Roma, o Papa Francisco. Que nosso Papa receba a força que vem de Vós e que eu possa sempre ajudá-lo em seu ministério vivendo o meu batismo. Assim seja.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sobre a Catolicidade: Temos Papa I

Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.» Jesus disse: «Cuide dos meus cordeiros.» (Jo 21,15)

Sou apaixonado pela Igreja. Desde pequeno sempre gostei do Papa. Ainda me lembro da morte de Paulo VI e de João Paulo I. Quanta choradeira! Tínhamos um quadro com a figura do Papa. Para mim, o Papa sempre transmitiu bondade. Para mim o Papa sempre foi alguém escolhido a dedo por Jesus. Sempre amei o Papa.

Mas eu cresci e, com a idade, vieram os questionamentos, dúvidas, etc. Meus amigos de escola abandonaram a Igreja. Na Igreja eu conquistei meus verdadeiros amigos. Paquerei, namorei, mas quis ser padre. Entrei no Seminário. Lá tínhamos o quadro do Papa João Paulo II. Aquele semblante bondoso… 

No seminário, continuava a amar o Papa. Estranhava algumas de suas posições, mas, na dúvida, preferia suas opiniões às minhas. No seminário aprendi gostar do teólogo Joseph Ratzinger, mas eu não gostava dele como cardeal. Cheguei ao ponto de não lhe querer bem. Que pecado!!! 

Fiquei padre, e como padre fui trabalhar em Hortolândia. Um padre amigo disse-me: Fica triste não, depois você vai receber uma paróquia melhor!  Mas, aquela paróquia era a que eu queria! E Lá fiz uma verdadeira experiência de ser pastor. Tenho saudades! Mas eu ainda não gostava de Joseph Ratzinger. Achava o semblante dele pesado, duro!

E aí o Papa João Paulo morreu. E quem foi eleito papa: Joseph Ratzinger! A partir desse momento era Bento XVI. Passei a amá-lo. Seu semblante mudou: estava cheio de ternura. Não me importava as roupas pomposas cheirando a mofo… O que me importava é que era o papa. Homem de bondade. Esquerda, direita, conservador, progressista, etc., nada disso interessa. A única coisa que interessa é que ele é o sucessor legítimo do apóstolo São Pedro. E é por isso que eu o amo.

Para nós católicos, ter papa não é problema, é solução! Todo católico de verdade deve nutrir um profundo amor pelo Papa e rezar por ele todos os dias apoiando o seu ministério. Vi muita gente que se diz católica hostilizando o Papa Bento XVI. Mas vi muita gente defendendo o Papa, não por amá-lo, mas porque apoiavam sua postura um tanto conservadora: missa em latim, vestes tridentinas, etc. Só que Bento XVI renunciou. E o Espírito Santo escolheu um argentino em seu lugar: Jorge Mario Bergoglio, ou simplesmente Francisco. E, aqueles que eram tão obedientes a Bento XVI já não obedecem Francisco… 

Esse é o assunto da próxima postagem. E eu continuo a amar o Papa!!!

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, quisestes que vosso rebanho fosse apascentado pelo apóstolo Pedro. Ensinai-me a amar os legítimos sucessores dos apóstolos, em especial, o bispo de Roma, o Papa Francisco. Que nosso Papa receba a força que vem de Vós e que eu possa sempre ajudá-lo em seu ministério vivendo o meu batismo. Assim seja.

Continua...