sexta-feira, 9 de maio de 2014

Meninas da Nigéria e o sequestro da religião

Disse Jesus: se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar. (Mt 18,6)

Nas últimas semanas recebemos a triste notícia, de que extremistas muçulmanos levaram centenas de meninas de um colégio interno no norte da Nigéria. Esse trágico fato deu origem a uma campanha mundial para que sejam salvas. A hastag #BringBackOurGirls tem sido vista em inúmeras imagens, páginas e sites.

As religiões atuais, em sua fundamentação, sempre manifestaram o desejo de construir um mundo de paz. Mas, na prática, as religiões sempre enfrentam movimentos de fanatismo que colocam suas ideologias acima da dignidade humana.

Sou cristão católico e tenho por princípio o seguimento de Jesus Mestre. Em minha religião existiu e existe movimentos fanáticos que colocam suas ideias acima do valor da vida. Muitas mortes foram feitas em nome de uma fé que se distanciou de seu Mestre. Em qualquer guerra (militar, civil, religiosa, etc.) as crianças e as mulheres são as principais vitimas. Estupros, escravidão, torturas, mutilação, genocídios...

Numa guerra de caráter religioso a primeira vítima é a própria religião. Esta é sequestrada por pessoas que são incapazes de interpretar as próprias ideias religiosas. Traem seus próprios livros (Torah, Corão, Bíblia, etc.) e semeiam tudo aquilo que os livros sagrados condenam. Os livros Sagrados relatam a violência para não a reproduzirmos em nossas vidas. Em última instância o que vale é o sentido último proposto Moisés, Maomé, Jesus... Arautos da Paz.

Como disse, sou cristão católico e entendo pouco de Islamismo. Mas, estudando o Corão, encontro uma profunda mensagem de paz e de respeito à dignidade humana, onde Jihad não significa “guerra santa”, mas significa “empenho e luta” pela paz.

Dito isso, aquelas meninas nigerianas foram sequestradas por um grupo que sequestrou o sentido verdadeiro do Corão, traindo o que disse Maomé.

Infelizmente, não damos conta de resolver os problemas das crianças de nosso país e, agora, vemos estarrecidos a triste jornada daquelas mais de 200 crianças sob a ação odiosa daqueles que as violentam, com a desculpa de que a educação (ler e escrever) é um direito apenas masculino e que o mundo ocidental contaminou aquele país.

E nós? O que podemos fazer? A princípio, devemos corrigir nossos próprios erros. Nossas crianças também são sequestradas e violentadas a cada dia. A exploração sexual de meninas e meninos é uma triste realidade com a qual convivemos com naturalidade. Com a copa do mundo a situação tende a piorar. Boa parte de nossas crianças não tem o direito de brincar, pois, desde pequeninas, já trabalham, já se drogam, já são prostituídas. A educação não consegue educar. Precisamos fazer nossa lição de casa.

Nosso sistema politico já não consegue corrigir suas próprias falhas: pois são os corruptos aqueles que julgam corruptos e corruptores. Mesmo se aprovando a “Lei da Ficha Limpa”, os de ficha suja continuam disputando eleições.

Nosso sistema judiciário não é capaz de julgar rapidamente. Crimes e crimes não são condenados por prescrição. Precisamos fazer a lição de casa.

Enfim, precisamos lutar para que a surja entre todos os países uma consciência “mundializada” de humanidade, de forma que nos sintamos todos irmãos, apesar de nossas diferenças. Assim, as crianças sejam defendidas por todos e que todos reconheçam a dignidade de todo ser humano.

Parece utópico? Sim! Mas, não há outro caminho para a paz!


Divulgue seu apoio para a devolução de nossas crianças nigerianas! Sim, nossas crianças pois somos todos irmãos! Não nos esqueçamos que as crianças são as prediletas de nosso Mestre.

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, que abençoastes as crianças e as defendestes com vosso própria vida, tocai minha consciência para que eu assuma a defesa radical de todas as crianças. Fazei que eu seja um promotor de vossa paz. Assim seja!



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