terça-feira, 8 de abril de 2014

O segredo da fé

«Se vocês tivessem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: ‘Arranque-se daí, e plante-se no mar’. E ela obedeceria a vocês. (Mt 17,6)

O Mestre caminhava com os discípulos e lhes falava sobre o amor de Deus. Dizia-lhes:
- Deus nos ama de tal modo, que o infinito torna-se pequeno. Seu amor não pode ser comparado a nada neste mundo. Por isso nós precisamos confiar totalmente nEle. Confiar, ter fé. Esse é o segredo para se experimentar o amor de Deus.

Um discípulo pediu:
- Mestre ensina-nos o segredo da fé em Deus. Como podemos fazer para ter fé.

E o Mestre contou-lhes uma história:
“Num país distante, um homem sempre dizia a seu filho:
- Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado.

Houve, nesta época um grande terremoto que destruiu toda a cidade. Nesta hora o  homem estava na estrada. Ao ver tamanha destruição, correu para casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho nesta hora estava na escola. Assim, ele foi imediatamente para lá, e encontrou a escola totalmente destruída. Não restou, uma única parede de pé. Tomado de uma enorme tristeza. Ficou ali ouvindo, a voz feliz de seu filho e sua promessa não cumprida: ”Haja o que houver eu estarei sempre a seu lado.”
Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição. A voz de seu filho e sua promessa não cumprida, o dilaceravam por dentro. Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando sua mãozinha. O portão (que não mais existia); o corredor..., as paredes... Aquele rostinho confiante, passava pela sala do 3º ano, virava o corredor e o olhava ao entrar.
Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto. Portão, corredor, virou a direita e parou em frente ao que deveria ser a porta da sala. E nada! Apenas uma pilha de material destruído. Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe. Olhava tudo... desolado... E continuava a ouvir sua promessa: ”Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado”. E ele não estava...

Começou a cavar com as mãos, retirando os escombros. Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afastá-lo de lá dizendo:
- Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém.

Ao que ele retrucava:
- Você vai me ajudar?
Mas ninguém o ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam.

Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida. Haviam outros locais com mais esperança.
Mas este homem não esquecia sua promessa ao filho, a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retirá-lo de lá era:
- Você vai me ajudar?
Mas eles também o abandonavam. 

Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa:
- Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar pois continuam havendo explosões e incêndios.
E ele retrucava:
- Você vai me ajudar?

E diziam ao homem:
- Você está cego pela dor, não enxerga mais nada. É a raiva da desgraça.
E ele retrucava:
- Você vai me ajudar?

Um a um todos se afastavam. Até que o homem ficou sozinho. E o homem trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali. 5, 6, 7, 8, 9, 10, 15 horas. Já exausto, dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto. Até que ao afastar uma grande pedra, sempre chamando pelo filho, ouviu:
- Pai ... estou aqui!
O homem desesperado, perguntou:
- Filho, você está bem?
O filho disse:
- Estou, pai. Mas com sede, fome e muito medo.
- Tem mais alguém com você? - Perguntou o homem.
- Sim, catorze estão comigo e estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos todos bem.
- Apenas se conseguia ouvir seus gritos de alegria

E o filho continuou
- Pai, eu falei a eles: Vocês podem ficar sossegados, pois meu pai irá nos achar. Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora: “Haja o que houver, meu pai, estará sempre a meu lado”.

Chorando, o pai disse:
- Vamos lá tente sair por este buraco.
O filho respondeu:
- Não Pai! Deixe-os sair primeiro. Eu sei; que haja o que houver... Você estará me esperando! “


E todos os discípulos se ajoelharam e agradeceram a Deus pelo seu infinito Amor...

Oração: Senhor Jesus, Mestre de mim, alimentai minha minúscula fé com a vossa Palavra de vida. Dai-me a serenidade necessária para suportar as dores desse mundo e que eu possa ser luz entre meus irmãos e irmãs. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

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