terça-feira, 29 de abril de 2014

Nascer do Alto

Jesus respondeu: «Eu garanto a você: ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nasce da água e do Espírito. Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é espírito. (Jo 3,5-6)

Muita gente pensa ter corpo, ter carne, ter alma e ter espírito. Pensamos que somos algo que vai além dessas realidades. Nossa linguagem nos trai: “Preciso cuidar de meu corpo, preciso cuidar de minha alma”. No entanto nós somos corpo, nós somos alma, nós somos carne e nós somos espírito. Estas são dimensões do ser humano.

Jesus Mestre quando ressuscitou mostrou as mãos e o lado. Seu corpo glorioso traz as marcas da cruz. Não lhe foi dado um novo corpo. Pois Jesus é o corpo… O Crucificado é o Ressuscitado. O Ressuscitado é o Crucificado. Sua carne foi glorificada… Já não morre, mas vive para sempre! 

Mas o Mestre nos fala que precisamos nascer do alto, nascer do Espírito, pois quem nasce da carne é carne, que nasce do espírito é espírito. Pode parecer estranho, mas não é! 

Nós somos Espírito e Carne. São duas dimensões nossas que se opõem. Jesus Mestre, ressuscitado conseguiu harmonizar essas dimensões. Mas essas dimensões entram em choque na nossa vida. Ou pendemos para a carne, ou pendemos para o Espírito. 

Ser conduzido pela carne é nascer de baixo e viver segundo os instintos egoístas.
Ser Conduzido pelo espírito é nascer do alto e viver segundo a fé, a esperança e o amor.

Em situações extremas percebemos com clareza quem nasceu do alto e quem nasceu de baixo. Desculpe o exemplo… Espero que você me entenda. Num incêndio, pessoas se desesperam e pisam nas outras para salvar a própria vida. Porém, algumas pessoas tentam salvar a vida dos outros, e acabam dando a própria vida para salvar a vida mais fraca! De onde vem a diferença? Vem da carne ou do espírito. Geralmente quem é do espírito, isto é, do alto, imita as características do próprio Deus. Quem é da carne, isto é, de baixo, fecha-se em si mesmo e procura salvar a própria pele. Isso não significa que a pessoa é má, mas significa que a pessoa que viveu sua vida inteira pensando somente em si, em situações extremas pisará nos outros… Repito, me desculpe pelo exemplo!

É preciso que nasçamos do alto, do espírito, para sermos semelhantes a Jesus Mestre. Não dá mais para se dizer cristão e viver de acordo com os instintos egoístas (carne). Precisamos viver coerentemente a nossa fé, assumindo os riscos e consequências de ser discípulo de Jesus Mestre - ressuscitado. Quem quer nascer do Espírito precisa querer crescer na espiritualidade. Nossa fé precisa amadurecer. Rezamos pouco e rezamos mal. Damos pouco tempo para escutar e ler a palavra do Mestre. Fazemos pouco o bem ao irmão. A fé não dá para ser vivida em teoria. É na prática que vivemos a fé. 

Por fim, nascer do Espírito é uma necessidade que todos temos. A felicidade não é encontrada quando vivemos a partir da carne. A única possibilidade de ser feliz é quando nascemos do alto. Que o Espírito de Jesus ressuscitado nos faça renascer… Sempre!



Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, fazei que eu possa nascer do alto e viver segundo os vossos princípios. Que meu espírito reflita a imagem de vosso Espírito e, assim, eu possa superar os apelos dos instintos egoístas, tornando-me semelhante a Vós. Assim seja!


sábado, 26 de abril de 2014

Crer para Ver

Jo 20,19-31 
(Tradução Pe. Demetrius)

19. Quando anoitecia naquele Domingo, os discípulos, com medo das autoridades, estavam trancados em casa. O Mestre entrou e ficou no meio e disse-lhes: "Vocês tenham a paz!".
20. Depois, o Mestre mostrou suas chagas. Os discípulos festejaram ao verem o Mestre.
21.  Jesus Mestre disse de novo: "Vocês tenham a paz! O Pai me enviou. Eu também os envio!"
22. E soprou sobre eles, dizendo: "Recebam o Espírito Santo.
23. Se perdoarem os pecados, eles serão perdoados. Se não perdoarem, não serão perdoados".
24. Um dos doze, Tomé, o gêmeo, não estava quando o Mestre apareceu.
25. Os outros disseram a Tomé: "Vimos o Mestre!". Tomé falou: "Se eu não ver e tocar suas chagas, não crerei".
26. No outro Domingo, os discípulos e Tomé estavam trancados em casa. O Mestre entrou e ficou no meio e disse-lhes: "Vocês tenham a paz!".
27. O Mestre disse a Tomé: "Veja e toque as minhas chagas. Não duvide, mas creia".
28. Tomé disse ao Mestre: "Meu Senhor e meu Deus!"
29. O Mestre disse-lhe: "Você creu por quê viu? Felizes o que creram sem ver".
30. Jesus Mestre realizou muitos outros sinais frente aos discípulos. Eles não foram escritos.
31. Estes foram escritos para que creiam que o Mestre é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, em seu nome tenham a vida.

Algumas notas:
  • Os discípulos estão trancafiados por causa do medo das autoridades. O medo faz a comunidade ficar fechada sem Jesus. O medo sempre conduz ao fechamento.
  • Jesus entra com as portas fechadas. O Mestre sempre encontra brechas onde pode manifestar seu amor e sua vida.
  • Jesus devolve a paz que o medo tirou. Um discípulo não pode ser dominado pelo medo. Deve ser dominado pela paz.
  • O Espirito Santo conduz ao perdão, e o perdão conduz à paz. O discípulo é um embaixador da paz do Mestre.
  • Tomé não está com os outros, pois ele é um discípulo corajoso (cf. Jo 11,16). Apesar da coragem, sua fé é baseada nos sentidos (visão e tato). Sua fé é ainda alicerçada nas emoções.
  • Os discípulos se reúnem no Domingo. Este ocupa o lugar do sábado judaico.
  • Novamente reunidos, mas sem medo. Agora Tomé, discípulo sem medo, está em casa.
  • Jesus aparece, devolve a paz e pede que Tomé use os sentidos para crer. Tomé passa a crer sem tocar, mas ainda depende da visão. Tomé representa todas as comunidades atuais. Ele nos representa. Ainda buscamos ver para crer. Procuramos milagres e milagres...
  • Tomé reconhece Jesus como Deus. É a primeira pessoa a dizer claramente que Jesus é Deus.
  • O Testemunho que realmente interessa é o de Jesus Mestre. Seus sinais nos levam a crer sem ver.

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, entrai em meu coração fechado pelo medo de amar. Que eu vos reconheça sem precisar ver e possa proclamar: Meu Senhor e meu Deus. Assim seja!



quinta-feira, 24 de abril de 2014

O direito de ser corrigido

Meus irmãos, também eu estou pessoalmente convencido de que vocês estão cheios de bondade e repletos de todo conhecimento, para se corrigirem uns aos outros. (Rm 15,14)

Aprendi na vida franciscana que todos temos o direito de ser corrigido. Isso mesmo, ser corrigido é um direito que todos temos. 

Infelizmente no Brasil temos uma cultura em que corrigir o outro é uma coisa feia ou até proibida. Se o outro fala errado não podemos corrigi-lo. Ensinar a falar corretamente é mais feio do que falar erroneamente. 

Certa vez, um amigo conversava conosco e tinha uma tremenda “caca"  saindo do nariz. Todo mundo estava com nojo e ninguém falava para ele. Após 10 minutos de conversa, chamei-o num canto e falei para ele. Ele me agradeceu, mas reclamou porque não o avisei antes. 

Quando uma pessoa nos corrige nosso primeiro sentimento é de insulto e não de agradecimento. Cometemos erros e reclamamos daqueles que nos corrigem e ensinam o que é certo. Um orgulho nos impede de ser humilde e nos faz chatear com quem quer nos ajudar.

Numa missa em minha paróquia, uma pessoa recebeu a comunhão na boca, dirigiu-se até o banco, tirou a comunhão da boca, partiu e deu uma parte à criança que a acompanhava. Na semana seguinte, em particular, chamei a atenção dessa pessoa e a corrigi de seu erro. Ainda assim, algumas pessoas ficaram sabendo (pastoral da língua comprida) e comentaram que eu errei, pois aquela pessoa sairia da Igreja. 

Outras pessoas chegam à missa apenas na hora da comunhão, entram na fila e comungam. Eu as corrijo, pois quem não escuta a Palavra não deve comungar. Vejo lideranças da comunidade reclamando desta correção sempre alegando que a pessoa pode se sentir ofendida e não voltar à Igreja. Traduzindo: ensinar o certo é errado!!!

Jesus Mestre nos ensina que fica difícil viver em comunidade quando a pessoa, repleta de melindres, não aceita ser corrigida. Viver em comunidade exige a capacidade de corrigir e de ser corrigido. Falar a verdade com ternura, mas sempre falar a verdade. 

As vezes, alguém está vivendo uma terrível situação de pecado e ninguém fala nada para ela. A pessoa continua em seu pecado e a situação piora cada vez mais. Eu repito: a pessoa tem o direito de ser corrigida. O verdadeiro amigo é aquele que nos fala a verdade porque nos ama. Quando amamos verdadeiramente uma pessoa, lhe falamos a verdade para que a pessoa seja feliz. Não podemos aceitar a desculpa de que a pessoa vai se afastar ou deixar de falar conosco. A verdade é o maior gesto de amizade que podemos dar.

Por fim, devo lembrar que a aceitação da correção é um gesto de humildade nascido no seio da espiritualidade cristã. Correção é uma atitude de amor e só pode saborear este amor quem se deixa corrigir pela verdade. Precisamos abandonar alguns melindres e aceitar que não somos perfeitos. Precisamos de correção. O Evangelho é a grande força que nos corrige. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, fazei que eu aceite ser corrigido por meus irmãos e irmãs, com base na verdade que é vosso Evangelho. Que a verdade nunca me ofenda, pois o erro e o pecado estão em mim. Ajudai-me a abandonar os melindres que me impedem de viver a espiritualidade dos humildes. Assim seja. 


quarta-feira, 23 de abril de 2014

O mundo pensa que ser cristão é ser bobo...


Eu dei a eles a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo. (Jo 17,14)

Uma discípula entrou numa discussão com as pessoas de seu trabalho. Elas diziam que quem seguia o Mestre era tonto e idiota, pois deixava de aproveitar as coisas boas da vida. A discípula não conseguiu convencer aquelas pessoas de que valia a pena seguir o Mestre e com isso ela ficou muito triste.

Chegando em casa, a discípula ficou em silêncio. O Mestre, já sabendo o que se passava no coração da discípula, abraçou-a e disse:

- Meus filhos, minhas filhas escutem o que aconteceu: “Conta-se que numa pequena cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o bobo ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas - uma grande de prata e outra menor, de ouro. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.

- Eu sei - respondeu o não tão tolo assim - ela vale cinqüenta vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda.”

Todos sorriram, e a discípula descobriu  que o Mestre a conhecia plenamente...

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, sois o Vivente. O mundo não nos compreende e nos julga como "bobos", mas sabemos que o que é loucura para o mundo é sabedoria para o Pai eterno. Dai-me vossa sabedoria e bom senso para que eu seja no mundo um discípulo vosso a pregar o Evangelho da loucura de vosso amor. Assim seja.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mais postagens

Jesus ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!


Nesses dias onde experimentamos o amor de Cristo na paixão, morte e ressurreição de Jesus Mestre, não postaremos em nosso blog. Voltaremos a postar na quarta-feira (23/04). Vamos tratar de diversos assuntos. 

Feliz Páscoa para todos!

Pe. Demetrius dos Santos Slva

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Como Rezar - Leitura Orante da Bíblia


Um dia, Jesus estava rezando em certo lugar. Quando terminou, um dos discípulos pediu: «Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou os discípulos dele.»  (Lc 11,1)

“A leitura Orante exige do discípulo três atitudes: 
escuta, compromisso de vida e perseverança”. 

1º Passo: Prepare o ambiente

O ambiente merece grande consideração. Ele é de grandíssima utilidade para recolher-se e colocar-se à escuta. Com o barulho de tantas vozes e interesses que nos arrastam para fora de nossa intimidade, é difícil ler na postura de que escuta. O ambiente sóbrio favorece a concentração na leitura e a abertura à escuta. Com o tempo a leitura passa a ser feita em qualquer lugar. Basta que se tenha a capacidade de se recolher.
Prepare na casa, ou em outro lugar de sua preferência, um “lugar sagrado”. Pode usar os seguintes elementos: uma vela, uma Bíblia, uma musica suave, incenso, cadeira, banquinho ou almofada para se sentar. Desligue o telefone, a campainha, deixe recado dizendo que você não está... por alguns momentos.
Procure uma posição que não canse e favoreça a concentração. A postura corporal é muito importante. Ela revela a intenção íntima de cada um e aumenta a concentração.

2º Passo: Invoque o Espírito Santo 

Com os olhos fechados, dê alguns minutos para que a “poeira” de seus pensamentos e ações se assente um pouco. Respire profundamente e devagar várias vezes, colocando-se na presença de Deus. Respire paz, tranqüilidade, harmonia...., expire insegurança, medo, tensão... Através um canto, um refrão conhecido ou de uma oração, peça as luzes do Espírito Santo. Sem a força do Espírito de Deus o esforço será inútil.
O refrão contemplativo é um meio para se chegar a este estado de oração com o Senhor. Consiste em repetir várias vezes, aumentando e diminuindo o tom de uma “fórmula sagrada”, que lentamente penetrará no subconsciente, atingindo até os níveis mais profundos de nossa personalidade. É assim que nos preparamos para entrar no mundo de Deus e para sentir sua proximidade, pois Ele está bem perto de nós (Sl 119, 151).

3º Passo: Leitura do Texto 

Leia, com calma e atenção, a história do Mestre. São histórias simples, mas que trazem riquezas para nossa vida. Se for preciso, leia o texto quantas vezes forem necessárias.
Procure identificar as coisas importantes deste trecho da história. Imagine o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. Você conhece algum outro trecho que seja parecido com este que leu? É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia do Mestre que este Texto nos traz!

4º Passo: Meditar o Texto 

É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais do Texto: é hora de saborear o Texto percebendo como o Mestre toca a sua vida e não apenas estudá-lo. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Feche os olhos, isto pode ajudar. É preciso concentrar-se!

5º Passo: Rezar o Texto:

Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e ao Mestre. 
É um diálogo pessoal! Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. 
Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade.

6º Passo: Contemplar a Palavra

Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence ao Mestre e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranquilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

7º Passo: Conservar o Mestre em nossa vida

Leve a Palavra do Mestre e o fruto desta oração para a sua vida. Produza os frutos do amor de Deus semeado no seu coração, frutos como: paz, sorriso, decisão, caridade, bondade, etc... Não se preocupe se alguma coisa não for bem, um dos frutos do Amor de Deus é a noção do erro e a conversão pela sua misericórdia. 
O importante é que a semente da Palavra de Deus produza frutos, se 30, 60 ou 100 por um... o importante é que produza, e que o Povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor na vivência de um cristianismo sincero.
Termine com a oração do Pai Nosso, consciente de querer viver a mensagem do Reino de Deus e fazer a sua vontade e dê uma abraço apertado no Mestre.

9º Passo: Avalie a Leitura Orante
Como foi fazer a leitura da Bíblia com este método? O que você mais gostou? Onde e qual foi sua maior difilcudade? Se possível anote num caderno ou em seu diário espiritual.

Disse Jesus: Vocês vivem estudando as Escrituras, pensando que vão encontrar nelas vida eterna. No entanto, as Escrituras dão testemunho de mim. (Jo 5,39).


terça-feira, 15 de abril de 2014

O Amor é a solução

Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria. (1Cor 13,3)


Uma discípula perguntou para o Mestre:
- Por que existem pessoas que saem facilmente dos problemas mais complicados, enquanto outras sofrem por problemas muito pequenos, morrem afogadas num copo de água? 

O Mestre simplesmente sorriu e contou uma história:

“Havia uma mulher que viveu amorosamente toda a sua vida. Quando morreu, todo mundo falou para que iria para o céu: uma mulher tão bondosa quanto ela somente poderia ir para o Paraíso. Mas, ir para o céu não era tão importante para aquela mulher, mas mesmo assim ela foi até lá. Naquela época, o céu não havia ainda passado por um programa de qualidade total. A recepção não funcionava muito bem. A moça que a recebeu deu uma olhada rápida nas fichas em cima do balcão e, como não viu o nome dela na lista, lhe orientou para ir ao Inferno. E no Inferno, você sabe como é. Ninguém exige crachá nem convite, qualquer um que chega é convidado a entrar. A mulher entrou lá e foi ficando. Alguns dias depois, Satanás chegou furioso às portas do Paraíso para tomar satisfações com Pedro, que tinha as chaves do Céu. Dizia: 

- Você é um canalha. Nunca imaginei que fosse capaz de uma baixaria como essa. Isso que você está fazendo é puro terrorismo! 

Sem saber o motivo de tanta raiva, Pedro perguntou, surpreso, do que se tratava. Satanás, transtornado, desabafou: 
- Você mandou aquela mulher para o Inferno e ela está fazendo a maior bagunça lá. Ela chegou escutando as pessoas, olhando-as nos olhos, conversando com elas. Agora, está todo mundo dialogando, se abraçando, se beijando. O inferno está insuportável, parece o Paraíso! 

E Satanás fez um apelo: 
- Pedro, por favor, pegue aquela  mulher e traga-a para cá!” 

Quando o Mestre terminou de contar esta história olhou carinhosamente para a discípula e disse: 
- Viva com tanto amor no coração que se, por engano, você for parar no Inferno o próprio demônio lhe trará de volta ao Paraíso!


E todos se encantaram com as palavras do Mestre...

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, inundai-me com vosso amor de tal modo que eu seja vosso sinal em qualquer lugar onde esteja. Que vossa ternura seja o recado dado por mim à toda humanidade. Assim seja.

(História adaptada por Pe. Demetrius)

domingo, 13 de abril de 2014

Sentido na dor


“Mesmo no riso, o coração talvez sinta dor.” (Pr 14,13)

Um jovem discípulo perdeu seu amor. Estava muito triste e pensava abandonar o barco da vida. Pensava bobagens. Até tirar a própria vida. 

O Mestre pediu ao jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse. 

- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
- Ruim - disse o jovem discípulo. 

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. 

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o Mestre disse: 
- Beba um pouco dessa água. 

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou: 
- Qual é o gosto? 
- Bom! - disse o discípulo. 

- Você sente gosto do sal? Perguntou o Mestre.
- Não! - disse o jovem. 

O Mestre então sentou-se ao lado do discípulo, pegou sua mão e disse: 
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo, torne-se um lago...


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, na busca de minha felicidade encontro muitas dores no caminho. Ajudai-me a compreender que o sentido da vida consiste no amor e que toda dor só será superada em vós. Assim seja.

(História adaptada por Pe. Demetrius)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ir além...


Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. (Lc 10,33-34)

O Mestre foi convidado para um debate sobre Como melhorar o mundo? Ele foi e levou os seus discípulos. Havia lideranças de várias religiões. Cada uma expunha seu ponto de vista da questão. Mas num ponto elas eram unânimes. Diziam: cada um tem que fazer a sua parte para melhorar o mundo!!! 

Deram a palavra ao Mestre, e este surpreendeu a todos dizendo: 
- Não sejam medíocres!!! Cada um fazer a sua parte não melhorará o mundo... Este é o problema do mundo!!! Não basta cada um fazer a sua parte... O mundo irá de mal a pior...
Foi um alvoroço na assembléia. As lideranças religiosas ficaram perplexas com as palavras do Mestre. 
Estas perguntaram:
- Mestre, dizem que você era um homem de Paz. Como pode então dizer que não basta cada um fazer a sua parte?

Então o Mestre contou-lhe uma parábola:
“ Um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Trouxe com ele tinta e pincéis, e começou a pintar o barco de um vermelho brilhante, como fora contratado para fazer. Enquanto pintava, percebeu que a tinta estava passando pelo fundo do barco. Percebeu que havia um vazamento e decidiu consertá-lo. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.

No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com o seu tesouro. O pintor ficou surpreso:
- O senhor já me pagou pela pintura do barco - disse ele.
- Mas isto não é pelo trabalho de pintura. É por ter consertado o vazamento do barco, respondeu o proprietário.

Disse o pintor: 
- Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar. Certamente, não está me pagando uma quantia tão alta por algo tão insignificante?
-
 Meu caro amigo - respondeu o proprietário - você não compreendeu. Deixe-me contar-lhe o que aconteceu. Quando pedi a você que pintasse o barco, esqueci de mencionar o vazamento. Quando o barco secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois lembrei-me que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado! Você salvou a vida de meus filhos! Não tenho riqueza suficiente para pagar-lhe sua boa ação... Muito obrigado por você ter feito mais que a sua parte...” 

Todas as lideranças saíram em silêncio e de cabeça baixa... Os discípulos contemplavam o olhar sereno do Mestre. Agora eles sabiam que o Mestre é a Verdade...

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, fazei que eu compreenda que meu papel neste mundo é o de ser vosso sinal em todos os momentos de minha vida. Dai-me força para vencer a tentação da duplicidade de meu ser e, a partir do possível, alcançar o impossível. Assim seja.

(História adaptada por Pe. Demetrius)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Amizade e o Perdão

Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. (Jo 15,14-15)


O Mestre sempre falava aos discípulos sobre o amor de Deus. Uma discípula levantou a mão e o Mestre pediu para ela manifestasse sua dúvida. Ela disse:
- Mestre, tenho percebido dentro de mim que, quando alguém me magoa fico aborrecida por muito tempo e dificilmente consigo perdoar.

Disse o Mestre:
- Minha filha, você precisa buscar a luz e não as trevas e assim conseguirá perdoar.

Percebendo que a discípula não compreendera suas palavras, o Mestre contou-lhe uma parábola:

“Dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram. Um esbofeteou o outro. O ofendido, sem nada a dizer, escreveu na areia: HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME BATEU NO ROSTO. 

Seguiram viagem e chegaram a um oásis, onde resolveram tomar banho. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra: HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA. 

Intrigado, o amigo perguntou: 
- Por que depois que te bati, tu escreveste na areia e agora escreves na pedra? 

Sorrindo, o outro amigo respondeu:
- Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarrega de apagar, porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar...”

E a discípula concluiu:

- Hoje, a Luz entrou em meu coração...

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, imprimai vossa Palavra nas tábuas de meu coração afim de que toda mágoa se dissipe e vossa ternura possa habitar minha mente e minhas emoções para sempre. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Conversão e Liberdade

Não fiquem lembrando o passado, não pensem nas coisas antigas; vejam que estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem? Abrirei um caminho no deserto, rios em lugar seco. (Is 43,18-19)

O Mestre peregrinava para instruir seus discípulos e discípulas. Ele caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes. Com a calma de sempre o Mestre parou e perguntou se poderia fazer algo por ele. O homem abaixou a cabeça e murmurou envergonhado:

- Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto de meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um sábio, ou profeta. Livre-me então desse sofrimento, dessa angústia! - pediu ajoelhando-se.

O Mestre, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse:
- Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu:
- Sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima.

O Mestre sorrindo aceitou a idéia um tanto absurda e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois, veio a voz do Mestre:
- Pode puxar!

O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início. Depois de inúteis tentativas para fazer com que o Mestre subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo. Qual não foi sua surpresa ao ver o Mestre firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral. 

Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado:
- Hei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira boba! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo.

De lá de dentro o Mestre explicou:
- Esse é o seu problema. Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo com você. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas idéias. Desse jeito, mesmo que Eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada.

Então o jovem puxou o Mestre para cima e perguntou:
- Mestre, o que eu devo fazer?

O Mestre respondeu:
- Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas idéias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço. Desprenda-se e liberte-se!!!

E aquele jovem seguia o Mestre pelo caminho...


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, reconciliai-me com minha própria história para que eu possa me desapegar de meu passado e lançar-me à frente na construção de um futuro de paz e amor. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

terça-feira, 8 de abril de 2014

O segredo da fé

«Se vocês tivessem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: ‘Arranque-se daí, e plante-se no mar’. E ela obedeceria a vocês. (Mt 17,6)

O Mestre caminhava com os discípulos e lhes falava sobre o amor de Deus. Dizia-lhes:
- Deus nos ama de tal modo, que o infinito torna-se pequeno. Seu amor não pode ser comparado a nada neste mundo. Por isso nós precisamos confiar totalmente nEle. Confiar, ter fé. Esse é o segredo para se experimentar o amor de Deus.

Um discípulo pediu:
- Mestre ensina-nos o segredo da fé em Deus. Como podemos fazer para ter fé.

E o Mestre contou-lhes uma história:
“Num país distante, um homem sempre dizia a seu filho:
- Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado.

Houve, nesta época um grande terremoto que destruiu toda a cidade. Nesta hora o  homem estava na estrada. Ao ver tamanha destruição, correu para casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho nesta hora estava na escola. Assim, ele foi imediatamente para lá, e encontrou a escola totalmente destruída. Não restou, uma única parede de pé. Tomado de uma enorme tristeza. Ficou ali ouvindo, a voz feliz de seu filho e sua promessa não cumprida: ”Haja o que houver eu estarei sempre a seu lado.”
Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição. A voz de seu filho e sua promessa não cumprida, o dilaceravam por dentro. Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando sua mãozinha. O portão (que não mais existia); o corredor..., as paredes... Aquele rostinho confiante, passava pela sala do 3º ano, virava o corredor e o olhava ao entrar.
Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto. Portão, corredor, virou a direita e parou em frente ao que deveria ser a porta da sala. E nada! Apenas uma pilha de material destruído. Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe. Olhava tudo... desolado... E continuava a ouvir sua promessa: ”Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado”. E ele não estava...

Começou a cavar com as mãos, retirando os escombros. Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afastá-lo de lá dizendo:
- Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém.

Ao que ele retrucava:
- Você vai me ajudar?
Mas ninguém o ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam.

Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida. Haviam outros locais com mais esperança.
Mas este homem não esquecia sua promessa ao filho, a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retirá-lo de lá era:
- Você vai me ajudar?
Mas eles também o abandonavam. 

Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa:
- Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar pois continuam havendo explosões e incêndios.
E ele retrucava:
- Você vai me ajudar?

E diziam ao homem:
- Você está cego pela dor, não enxerga mais nada. É a raiva da desgraça.
E ele retrucava:
- Você vai me ajudar?

Um a um todos se afastavam. Até que o homem ficou sozinho. E o homem trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali. 5, 6, 7, 8, 9, 10, 15 horas. Já exausto, dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto. Até que ao afastar uma grande pedra, sempre chamando pelo filho, ouviu:
- Pai ... estou aqui!
O homem desesperado, perguntou:
- Filho, você está bem?
O filho disse:
- Estou, pai. Mas com sede, fome e muito medo.
- Tem mais alguém com você? - Perguntou o homem.
- Sim, catorze estão comigo e estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos todos bem.
- Apenas se conseguia ouvir seus gritos de alegria

E o filho continuou
- Pai, eu falei a eles: Vocês podem ficar sossegados, pois meu pai irá nos achar. Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora: “Haja o que houver, meu pai, estará sempre a meu lado”.

Chorando, o pai disse:
- Vamos lá tente sair por este buraco.
O filho respondeu:
- Não Pai! Deixe-os sair primeiro. Eu sei; que haja o que houver... Você estará me esperando! “


E todos os discípulos se ajoelharam e agradeceram a Deus pelo seu infinito Amor...

Oração: Senhor Jesus, Mestre de mim, alimentai minha minúscula fé com a vossa Palavra de vida. Dai-me a serenidade necessária para suportar as dores desse mundo e que eu possa ser luz entre meus irmãos e irmãs. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Entre o bem e o mal


«Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.» (Mt 7,12)

O Mestre e seus discípulos votavam para a casa. Depois de um dia de caminhada pela longa estrada ao passarem próximo a uma moita de samambaia, ouviram um gemido. Verificaram e descobriram, caído, um homem. Estava pálido e com uma grande mancha de sangue, próximo ao coração. O homem tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência. Com muita dificuldade, o Mestre e os discípulos carregaram o homem para a casa, onde trataram do ferimento.

Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca. Disse que conhecia seu agressor, e que não descansaria enquanto não se vingasse.

Disposto a partir, o homem disse ao Mestre:
- Senhor, muito lhe agradeço por ter salvo minha vida. Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti.

O Mestre olhou fixo para o homem e disse:
- Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que você me deve três mil moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que lhe fiz.

O homem ficou assustado e disse:
- Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!

O Mestre disse:
- Se não podes pagar pelo bem que recebestes, com que direito queres cobrar o mal que lhe fizeram? 

O homem ficou confuso e o Mestre concluiu:
- Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça cobrança pelas coisas ruins que te aconteçam nessa vida, pois essa vida pode lhe cobrar tudo que você deve. E com certeza você vai pagar muito mais caro!

E o homem desistiu da vingança...

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, ensinai-me a perdoar para que a mágoa, o rancor e a vingança não reinem em minha vida. Que vosso Espírito de amor me guie na estrada da paz. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

domingo, 6 de abril de 2014

O Mestre do amor

Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. 10 Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. (Jo 15,9-10)

Um discípulo foi visitar o Mestre e disse-lhe que já não amava sua esposa e que pensava em separar-se.


O Mestre escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma palavra:
- Ame-a.
E logo se calou.

- Mas, já não sinto nada por ela! - Disse o discípulo.
- Ame-a! - Disse-lhe novamente o Mestre.

E diante do desconcerto do discípulo, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte:
- Amar é uma decisão, não um sentimento; amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame sua esposa, ou seja, aceite-a, valorize-a, respeite-a, dê afeto e ternura, admire e compreenda-a. Isso é tudo. Ame!

Surgiu um brilho no olhar do discípulo e o Mestre continuou:

- A inteligência sem amor te faz perverso. A justiça sem amor te faz implacável. A diplomacia sem amor te faz hipócrita. O êxito sem amor te faz arrogante. A riqueza sem amor te faz ladrão. A docilidade sem amor te faz servil. A pobreza sem amor te faz orgulhoso. A beleza sem amor te faz ridículo. A autoridade sem amor te faz tirano. O trabalho sem amor te faz escravo. A simplicidade sem amor te deprecia. A lei sem amor te escraviza. A fé sem amor te deixa fanático. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor...não tem sentido!!!

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, caminho que leva ao Pai, sois a verdade e a vida. Ensinai-me a amar como vós para que eu seja uma pessoa da paz. Que minhas respostas sejam sempre baseadas em vosso Evangelho. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

sábado, 5 de abril de 2014

Dificuldade de rezar

Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. (Lc 4,20)

Um discípulo passava por muitas dificuldades na vivência da espiritualidade. Ele não conseguia rezar. Conversava pouco com Deus e assim sentia muitas fraquezas em sua vocação. Constantemente pensava em abandonar a comunidade. Muitas vezes criticava tudo e todos como desculpa para seu mau humor. Cansado de uma vida de oração medíocre dirigiu-se ao Mestre humildemente perguntou: 
- Mestre, o que devo fazer para rezar? Eu tenho me esforçado, mas eu não estou conseguindo! Sem vida de oração tenho ficado amargurado. Preciso de tua ajuda.

O Mestre então sabiamente tomou um copo, encheu de água e entregou ao discípulo dizendo: 
- Filho, ande com esse copo pelo caminho que leva a praça, visite todas igrejas, escolas e bares. Entre em todos os cantos que puder e volte aqui sem derramar uma só gota desta água.
- Impossível – disse o discípulo – eu não vou conseguir.
- Você vai conseguir sim, acredite em mim! – disse o Mestre.

O discípulo saiu devagar com os olhos fixos no copo, desceu as escadas, saiu pela porta, tomou o caminho e foi até a praça. Visitou as igrejas, as escolas, entrou em bares e cabarés, e voltou sem ter derramado a água.

O Mestre olha, dá um tapinha nas costas do discípulo e carinhosamente diz: 
- E aí? Você percebeu as pessoas te observando? Percebeu os colegas que te chamando de louco? Percebeu as riquezas das lojas? Percebeu a realidade em tua volta?
- Não! – respondeu o jovem – Eu estava com os olhos fixos no copo.

O Mestre sorri e diz: 
- Vida de oração é ter intimidade com Deus. Se você fixar os olhos em Deus, como fez com o copo, terá a força que tanto precisa para vencer as tentações, e não mais terá uma vida de oração medíocre. Olhe para Deus e deixe-O ser o rumo de sua vida.

E o discípulo mudou de vida...

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, ensinai-me a rezar tendo os olhos fixos em vossa face de amor. Que minha vida possa transmitir a humanidade a vossa ternura. Assim seja!

(História adaptada por Pe. Demetrius)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Por que ler a Bíblia?

Disse Jesus: “Vocês vivem estudando as Escrituras, pensando que vão encontrar nelas a vida eterna. No entanto, as Escrituras dão testemunho de mim.” (Jo 5,39)

O Mestre estudava as Escrituras. Todos sabiam que o Mestre tinha Palavras de vida eterna.

Um discípulo chegou para o Mestre e perguntou:
- Mestre, por que devemos ler e decorar a Palavra de Deus se nós não conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos esquecendo? Somos obrigados a constantemente decorar de novo o que já esquecemos.

O Mestre não respondeu imediatamente ao discípulo. Ele ficou olhando para o horizonte por alguns minutos e depois pediu ao discípulo:
- Pegue aquele cesto de palha, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga até aqui.

O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do Mestre, mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou o cesto, desceu a lareira até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o Mestre já não restava nada. O Mestre perguntou-lhe:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, ironicamente:
- Aprendi que cesto de palha não segura água.

O Mestre ordenou-lhe que repetisse o processo de novo. Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o Mestre perguntou-lhe:
- Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?
O discípulo novamente respondeu com mais sarcasmo:
- Que cesto furado não segura água.

O Mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa. Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias. Porém, quando o Mestre lhe perguntou de novo:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?

O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:
- O cesto está limpo! 

Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo. O mestre, por fim, concluiu:
- Não importa que você não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que você lê, o que importa, na verdade, é que no processo o seu coração, sua mente e a sua vida ficam limpas diante de Deus.

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, que a vossa Palavra de vida, lida por mim, purifique meu ser tornando-me semelhante a Vós. Configurai-me de acordo com a bondade de vosso coração. Assim seja.

(História adaptada por Pe. Demetrius)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Como Falar...

Havia um discípulo muito sincero que dizia a verdade na cara das pessoas. Por causa disso as pessoas começaram a evitar contato com ele, pois passaram a considerá-lo um “chato de galochas”. Quem conversava com ele saía magoado e “bufando” de raiva. Quando esse discípulo perdeu todos os seus amigos se sentiu profundamente sozinho. Assim, ele procurou o Mestre para conversar e se aconselhar. O Mestre o recebeu com alegria. 

O discípulo disse: 
- Mestre, você sempre nos disse para falar a verdade acima de tudo. Faço isso com todas as minhas forças. Agora ninguém quer conversar comigo. Será que devo mentir para ser feliz?
- Meu filho – disse o Mestre – o problema não é o que você fala, mas o como você fala!!!

E contou-lhe uma história:
“ Certa vez um rei sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse seu sonho.
- Que desgraça, ó Rei! - exclamou o sábio - Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade!
- Mas que insolente! - gritou o rei - Como se atreve a dizer tal coisa?!
O rei chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas.
Ordenou, em seguida, que chamassem um profeta para interpretar o mesmo sonho. 
E veio o jovem Daniel e disse ao rei:
- Majestade, uma grande felicidade está reservada para vós!!! O sonho indica que vós vivereis mais que todos os vossos parentes!
A fisionomia do rei iluminou-se e ele sorriu abertamente. E elogiou o jovem profeta diante de todos.
Quando Daniel saía do palácio, um sábio perguntou:
- Como é possível? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega, pois todos os parentes do rei morrerão! O sábio levou chicotadas e você foi elogiado pelo rei diante de todo o reino!!!”

O Mestre sorriu para o discípulo e disse:
- Lembre-se sempre, filho, que tudo depende da maneira de dizer as coisas. E esse é um dos grandes desafios da humanidade! A verdade sempre deve ser dita, não resta a menor dúvida, mas a forma como ela é dita é que faz toda a diferença. 


E o discípulo se retirou repleto de alegria...


Oração:  Senhor Jesus, Mestre de mim, ensinai-me a falar com ternura e com respeito, a fim de que não magoe meus irmãos e irmãs, mas os conduza à verdade que sois Vós. Assim seja.

(História adaptada por Pe. Demetrius)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Verdadeiro valor

Uma jovem discípula estava muito triste. Ela aproximou-se do Mestre e disse:
- Mestre! Venho aqui porque me sinto tão pouca coisa que não tenho forças para fazer nada.  Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerda e idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O Mestre, sem olhá-la, disse-lhe: 
- Sinto muito, minha jovem, mas não a posso ajudar agora. Devo primeiro resolver meu próprio problema. Depois a ajudarei. Talvez depois... E olhando para o livro que lia, falou: 
- Se você me ajudar, eu poderei resolver este meu problema com mais rapidez e depois talvez possa lhe ajudar. 
- Claro, Mestre! - gaguejou a jovem, logo se sentindo outra vez desvalorizada e hesitou em ajudar Mestre. 
O Mestre pegou o livro que estava lendo, deu à discípula dizendo: 
- Pegue este livro e vá até o mercado. Devo vender esse livro para ajudar uma pessoa pobre. É preciso que você obtenha pelo livro o máximo possível, mas  não aceite menos que uma moeda de ouro. Vai e volte com a moeda o mais rápido possível.
A jovem pegou o livro e partiu. Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o livro aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando a discípula dizia o quanto pretendia pelo pelo livro. Quando a jovem mencionava a moeda de ouro, alguns riam, outros saiam, sem ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável, a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um livro velho. 
Tentando ajudar a jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas a discípula seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer o velho livro para todos os que passaram pelo mercado, abatida pelo fracasso, voltou. A discípula desejou ter uma moeda de ouro para que ela mesmo pudesse comprar o livro, assim livrando a preocupação de seu professor e, assim, receber ajuda e conselhos. Chegando à casa do Mestre, disse-lhe:
- Rabi, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do livro. 
- Importante o que disse, minha jovem... - o Mestre disse, sorridente. E olhando bem para ela, comentou:
- Devemos saber primeiro o verdadeiro valor do Livro. Pegue novamente o livro vá até o bibliotecário. Quem poderia ser melhor para saber o valor exato do livro? 
- Diga-lhe que quer vender o velho livro e pergunte quanto ele lhe dá. Mas não importa o quanto ele lhe ofereça, não o venda... Volte aqui com meu livro. 
A discípula foi até o bibliotecário e deu o livro para examinar. O bibliotecário segurou o livro com luvas, o examinou  com uma lupa, folheou várias vezes e disse:
- Diga ao Mestre: se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo livro.
- 58 moedas de ouro!!! - exclamou a jovem.
- Sim - replicou o bibliotecário - eu sei que, com tempo, eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente... 
A jovem discípula correu emocionada em direção à casa do Mestre. Depois de ouvir tudo que a jovem lhe contou, o Mestre disse:
- Minha discípula, você é como esse livro, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por quem tem amor. Pensava que qualquer um podia descobrir seu verdadeiro valor?
E, dizendo isso, tomou o livro e disse:
- Diante do amor de Deus, todos são como este livro. Valiosos e únicos, andam por todos os mercados da vida, pretendendo que pessoas inexperientes os valorizem. Porém ninguém, além de Mim,  sabe o vosso verdadeiro valor! 

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de Mim, sou discípulo vosso e quero vos seguir no caminho da esperança. Somente Vós sabeis quem sou verdadeiramente e, por isso, traçais para mim um plano de amor. Que eu saiba dar cada passo conforme vosso jeito de ser. Assim seja.

(História adaptada por Pe. Demetrius)