terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre a Cruz

“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14)

Uma grande amiga presenteou-me com uma bela cruz. Levo-a em meu peito num cordão que uma outra grande amiga fez em crochê. Numa comunidade uma pessoa olhava muito para mim. No fim da reunião ela pediu para ver a cruz. Achou a cruz muito bonita e disse que queria uma cruz como aquela. 

Fiquei pensando sobre isso. A cruz se tornou enfeite. Brincos, colares, anéis, etc. Vemos a cruz em todos os lugares. Até em lugares onde se pratica a maldade. Mas, até que ponto sabemos que a cruz é um projeto de vida? Sabemos que a cruz é um sinal de amor?

No inicio, a cruz era o pior instrumento de tortura. Destino dos opositores aos impérios e sorte dos amaldiçoados. A cruz foi vista como a pior das armas.

Depois, na cruz, foi pregado Jesus Mestre. Num profundo gesto de amor, para nos salvar de todos os males, o Cristo se entrega voluntariamente à tortura da crucifixão. Por mais violenta que era, a cruz deixava de ser sem sentido, e passava a ser o altar verdadeiro onde o verdadeiro cordeiro era imolado. Assim, a cruz se tornou o verdadeiro símbolo do amor.

Agora a cruz é um projeto de vida e de espiritualidade. A cruz representa amor, entrega, humildade, serviço, caridade, combate, paz, comunhão. 

Para o discípulo de Jesus, a cruz é uma meta a ser atingida através da identificação com seu Mestre. O sonho do discípulo é ser como o Mestre. Mas, como ser como um Mestre que morre tragicamente numa cruz? Deveremos carregar a cruz que Ele carregou? A resposta é não! Jesus tornou-se sacrifício para que nós não fôssemos sacrificados. Ele diz: “E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”. (Lc 14, 27) Jesus nos pede que carreguemos a nossa cruz e não a dEle.

O discípulo deve assumir sua própria vida, com seus riscos e problemas, com suas dores e dilemas, sem deixar de lado o projeto de seu Mestre que consiste em vida plena para todos (cf. Jo 10,10). É vivendo o discipulado que conseguiremos olhar para a cruz e relacionar a dor do Mestre com as nossas dores. a cruz só tem sentido quando percebemos o sacrifício daquEle que entregou toda a sua vida  no altar da cruz. A cruz não é adorno nem enfeite. A cruz não serve para embelezar pescoços. A cruz serve para nos lembrar que alguém morreu por nós e também serve para nos convidar a seguir os passos do Mestre que tem o melhor projeto para as nossas vidas. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, em vossa Cruz assumistes as dores de toda a humanidade em todos os tempos. Fizestes sacrifício de vossa própria vida para que nós tenhamos vida plenamente. Fazei que eu possa carregar o símbolo de vossa cruz no meu peito e consiga carregar a minha cruz no dia a dia. Assim seja.


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