segunda-feira, 31 de março de 2014

Estilo de vida: Jesus X capetalismo

Quando o vi, caí como morto a seus pés. Ele colocou a mão direita sobre mim e me encorajou: «Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. Sou o Vivente. Estive morto, mas estou vivo para sempre. Tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. (Ap 1,17-18)

Viver é uma opção, viver é uma escolha. Cada um nasce em um lugar e em determinadas situações. Para algumas pessoas, as circunstâncias favorecem mais a escolha por viver. Outras pessoas nascem em meio as situações tão desumanas que fica bem mais difícil optar por viver. 

Veja, o mundo hoje vive o capitalismo como uma forma de se organizar o mundo. Devemos produzir para gerar riqueza, pois riqueza gera felicidade. Devemos consumir para gerar riqueza, pois consumir gera felicidade. Não há limites para a produção e o consumo. Nosso planeta está em colapso. Os recursos naturais estão se esgotando rapidamente e o sistema capitalista não resolveu o problema da extrema pobreza. 

Por que falar disso? Porque o capitalismo forjou em nós um estilo de vida onde tratamos tudo como descartável. Até mesmos nossos valores! Em 1978 tínhamos um TV preto e branco que usamos até 1993. Hoje trocamos de televisão constantemente. 

O Estilo de vida de nosso tempo faz com que não enxergamos o sofrimento das pessoas que são exploradas para produzir os produtos que consumimos. Vamos tratando nossa realidade como descartável e isso invade nossas relações com outras pessoas que também tratamos como descartáveis. Nós também somos tratados como descartáveis.

Acabamos como que mortos, caídos no terreno do mundo onde tudo tem valor de nada. 

Jesus Mestre se aproxima de nós hoje e nos toca para para fazer-nos homens e mulheres vivos e sem medo. Ele nos apresenta seu estilo de vida onde tratamos tudo através da contemplação da eternidade do Pai. O estilo de vida de Jesus é oposto ao estilo de morte forjado pelo capetalismo. 

Jesus nos encoraja a viver de forma diferente do mundo atual. Nossa escolha por Ele nos obriga a escolher seu estilo de vida. Ele nos toca para que tenhamos coragem de ser nós mesmos e ser no mundo um farol a brilhar. Jesus é o vivente e transmite sua vida para nossas vidas. O espírito capitalista nos transmitiu seu estilo de morte, e nós, sem Jesus, transmitimos a morte ao nosso planeta. Neste estilo não há como ser feliz. Jesus nos confere a vida plena, e com Ele, transmitimos a plenitude da vida ao mundo e aos nossos corações. A igreja nos ensina: por Cristo, com Cristo e em Cristo… Só em Cristo encontraremos vida e felicidade.


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, sois Vós o Vivente, o Alfa e o Ômega, retirai de mim o espirito do capitalismo que reduz todas as coisas ao descartável. Manifestai em mim o vosso Espírito Santo para que eu viva segundo o vosso estilo de vida e encontre em Vós a felicidade e a paz. Assim seja!


domingo, 30 de março de 2014

Devaneios de um padre chocado com a realidade

Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas. Essas pessoas inventam mentiras e, por meio delas, levam outros para caminhos errados. (Ef 4,14)


Estou aborrecido com o mundo. Pesquisa do IPEA revela que 65% dos homens brasileiros acham que mulheres com roupas curtas devem ser atacadas (estupradas). Que vergonha. Que mundo é esse que estamos forjando para nossas crianças? Diante disso, minha mente me levou para reflexões sobre nosso mundo atual...

1. Época de caos social

a) “Capetalismo”: vivemos no mundo capitalista. O capetalismo assume a posição de único sistema econômico. Ele coloca o lucro acima de tudo. As relações humanas são determinadas pelos interesses econômicos. Tudo passa a ser produto comercial: educação, moradia, saúde, transporte, alimentação, e segurança... Tudo é mercadoria, inclusive a vida humana.

b) Crise de valores: num mundo dominado pelo interesse econômico, os bons valores são descartáveis. Gentileza, fraternidade, família, amizade, respeito, altruísmo, etc., são valores descartados em nosso tempo. Prega-se que os interesses individuais estão acima dos bons valores. O relativismo e o pluralismo tornam-se instrumentos de dominação nas mãos dos “grandes”. As instituições sociais: partidos, sindicatos, imprensa, os poderes executivo, legislativo e judiciário entram numa profunda crise ética. A Igreja torna-se vítima numa campanha organizada pelo poder. A Tecnologia assume a missão de gerar bem estar e equilíbrio emocional. No entanto a tecnologia não supriu os ideais humanos, e nunca será acessível a todos. Grupos ricos e politicamente fortes oprimem os movimentos sociais. A resposta a essa somatória de fatores é o Caos Social. A forma mais aparente desse caos é a violência (principalmente contra a mulher), o tráfico de drogas e falta de segurança. No entanto é preciso identificar as formas não-aparentes presentes em nossa cultura.

c) O individualismo, travestido de liberdade individual, torna-se o maior obstáculo para o Evangelho. O Caos Social só pode ser combatido pela experiência do ser comunidade. Somente com o fortalecimento dos vínculos de fraternidade e do respeito, no trabalho em equipe é que podemos enfrentar o Caos Social produzido pelo espírito capitalista. O Evangelho forma comunidade. A missão da Igreja é ser comunidade... Como anda nosso espírito de comunidade? Estamos gerando vínculos de união fraterna em Cristo?

2. Homem desprovido de conteúdo

Este modelo social e econômico o produz um novo homem e uma nova mulher. Não o Novo homem sonhado por São Paulo, mas o novo homem efêmero sem consistência, o homem light.

Este novo homem é imbuído de uma nova espiritualidade: uma espiritualidade light. Uma espiritualidade medíocre, passageira, sem alicerces.

Este tipo de homem novo exige uma resposta de nossa parte. A economia deve dar uma resposta ao capitalismo neoliberal. A história deve dar uma resposta ao revisionismo (releitura da história que nega as fatalidades ocorridas – Ex: grupos dizem que não houve tortura na ditadura militar no Brasil). Cada ciência, cada conhecimento deve dar uma resposta urgente ao novo homem. Mas, e a igreja? A Igreja deve contribuir apresentando ao mundo o Evangelho. Esta é com toda certeza a missão da Igreja. A Igreja deve apresentar o antigo sempre novo: Jesus Cristo. É ele o Novo homem liberto, coerente, repleto de amor, fiel ao Pai.

É preciso ter esta clareza: a igreja só tem para oferecer ao mundo o Evangelho. Nada mais a igreja tem a oferecer. É neste sentido que nós temos de acreditar que o Evangelho e a sua vivência são a única forma da transformação do mundo, na proposta do Reino de Deus. Deste modo, a missão da Igreja é espiritual. Não espiritual no sentido de só cuidar das coisas do espírito, mas no sentido de oferecer ao mundo uma nova espiritualidade, o novo modelo de humano: Jesus Cristo, aquele que todo o humano pode ser semelhante.

E os padres? E a vida religiosa? E as novas gerações? Com certeza a Igreja conta imensamente com a contribuição dos presbíteros, ordens, congregações e institutos religiosos para apresentarem mundo, com seu estilo de vida, o Evangelho. Os santos, os fundadores e fundadoras, foram em sua época sinais do novo homem, Jesus Cristo. Cabe às novas gerações oferecerem ao mundo o estilo de vida de Jesus. Suas convicções, seus valores, seus sentimentos e emoções, e sua firmeza e sua doçura, sua capacidade de obedecer ao Pai e seu projeto de amor.

As novas gerações devem saborear a Palavra de Jesus. Seus ensinamentos são fonte de vida e devem ser vividos pelos novos discípulos e discípulas de nosso tempo. Não há milagres a não ser o único milagre de acreditar que o Mestre assassinado há 2000 anos atrás continua vivo e presente no meio de nós. O milagre é crer que o Mestre vivo continua nos ensinando por sua palavra antiga e sempre nova. É acreditar que vale a pena viver o estilo de vida desse mestre sempre presente. É acreditar, não numa ideologia, não em idéias, não apenas na causa desse Mestre, mas sim em uma pessoa viva, presente que se comunica conosco, interage conosco , nos dá força, mas também exige nós compromisso de estar com Ele todos os dias, em todos momentos e em cada situação .


Para se enfrentar a nova espiritualidade do homem light – sempre caduca, as novas gerações devem abraçar a espiritualidade antiga do homem novo – sempre nova, que faz novas todas as coisas. A vida de oração, isto é, o diálogo constante com o Mestre de Nazaré é fundamental para alimentar nossa fome da verdade, nossa sede de Deus. 

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, eu não quero ser pessoa desprovida de conteúdo e de coração. Necessito de vossa Palavra e de vosso Amor. Enviai vosso Espírito Santo e fazei de mim uma criatura nova disposta a semear vosso Evangelho em nosso mundo caótico. Assim Seja.


sábado, 29 de março de 2014

Aos Filipenses... À nossa vida

O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.
(Fl 1,20-21)

Bíblia, sempre Bíblia. Esta continua a ser o livro mais vendido do mundo. Em quase todas as línguas temos traduzido o Santo Livro. Crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres têm acesso às Sagradas Escrituras. Encontramos a Bíblia aberta em tribunais, repartições públicas, câmaras legislativas e gabinetes do poder executivo.

Mesmo sendo o livro mais popular do mundo, a Bíblia Sagrada é o livro mais desprezado e traído no mundo. Muitos usam a Bíblia para encobrir os sinais de morte. Políticos citam a Palavra, mas suas vidas são um conjunto de ações sórdidas e mesquinhas. Igrejas usam a Bíblia para arrancar o dinheiro dos pobres iludindo-os com falsos milagres e toda sorte de ilusões. Sim, a Bíblia é traída pela ambição humana que tenta escravizá-la escondendo o seu conteúdo de libertação.

Mas a Bíblia não se deixa prender. Não há cadeias que consigam aprisionar a Palavra de Vida. Jesus é a Palavra que se fez carne (Jo 1,14). Nem a morte conseguiu aprisionar Jesus. Os discípulos e discípulas de Jesus são os portadores da Palavra de Vida. Cabe a eles anunciar o Evangelho e defender as verdadeiras interpretações da Escritura Sagrada.

Hoje os poderosos, cientistas, romancistas e intelectuais tentam aprisionar a Bíblia, arrancando a Bíblia das mãos dos pobres. Dizem que os simples não sabem ler a Bíblia e que só a ciência pode ler a Palavra. Os simples não têm ciência, têm arte.

Eu gosto muito da Carta de São Paulo apóstolo aos Filipenses. Bem, este escrito sagrado é uma carta. Não é uma carta como no nosso tempo... Ao abrirmos a caixa de correios nos deparamos com um monte de envelopes impressos: propagandas, anúncios, vendas, encomendas, etc. Não lemos tudo. Quase tudo vai para o lixo. Não vemos a “cara” do carteiro, não sabemos seu nome. Cartas são digitadas, bonitinhas, impessoais, vazias. Cartas não nos tocam o coração. Agora com o tal do “emeio”, “tuíter”, “orqute”, as cartas são coisa do passado...

No passado a carta representava a única forma de comunicação à longa distância. Esperávamos o carteiro no portão, pois sabíamos que ele traria a mensagem de uma pessoa amada. Quando o carteiro chegava tomava um café conosco, era um amigo que trazia o amor, a Boa-Nova.

Para entendermos a Carta aos Filipenses é preciso conhecer duas coisas muito importantes: quem é essa comunidade e a ligação que ela tem com o apóstolo Paulo. Essa comunidade está localizada em uma importante cidade européia. Filipos, que é a primeira cidade ocidental a receber a mensagem cristã. Isso ocorre no ano 50 d.C., durante a segunda viagem missionária do apóstolo.

Vinte séculos atrás, antes das etiquetas de computador, dos códigos de barra, das impressoras laser, da mala direta, e máquinas copiadoras e faxes, os povos já enviavam cartas escritas “a mão”, uns aos outros. Eram delegadas a amigos ou por correios especiais. Estas cartas traziam cumprimentos, instruções, incentivos, ordens, decretos, editais, e palavras pessoais. Com nenhuma inundação do correio postal de lixo para competir com sua atenção. Essas cartas sempre foram recebidas com alegria e compartilhadas com os outros. Assim foi com a carta aos Filipenses...

Em Filipos, Paulo é acolhido nessa primeira visita por Lídia, uma rica comerciante de púrpura. Paulo tem uma ligação muito íntima com essa comunidade, tanto que é somente de Filipos que aceita ajuda financeira e material. A comunidade de Filipos é uma comunidade de profunda vivência do Evangelho e esta carta, escrita da prisão em Éfeso, entre os anos de 55-57, tem por objetivo agradecer o auxílio enviado pela comunidade, por meio de Epafrodito; anunciar a visita de Timóteo à comunidade; advertir sobre a divisão causada pela competição e o egoísmo de alguns; prevenir contra os pregadores de origem judaica que põem a salvação na observância da Lei e na circuncisão; e lembrar à comunidade que vivenciar a evangelho e o projeto de Deus passa pela cruz de Cristo.

Paulo, nesta carta, assume mais o papel de um amigo querido que o de um pregador teológico. Porém, o apóstolo não deixa de ser vigoroso ao mostrar que a salvação vem apenas por meio de Jesus que, feito homem, morreu na cruz e recebeu do Pai o poder de dar aos homens e mulheres a salvação. Paulo exorta a todos a viverem a caridade, que é uma característica marcante da comunidade, e que se mantenham firmes no verdadeiro Evangelho.

Esta Carta é com certeza o mais belo escrito de São Paulo. Leia e seja transformado pelo amor de Cristo.

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, fazei-me um discípulo fiel com foi o apóstolo São Paulo. Que eu saiba comunicar o vosso Evangelho com a minha própria vida e aprender que sois Vós o meu viver. Assim seja!

                       

sexta-feira, 28 de março de 2014

Creio na Ressurreição

Anos atrás, num dia 01 de novembro, um jovem de nossa Igreja foi assassinado com cinco tiros. Estive com a família no hospital. Recebi a missão de comunicar à família sobre a morte de seu filho mais jovem. Lágrimas, revolta, tristeza e desânimo. Não sabia o que dizer para consolar a família. A única mensagem que me vinha à mente era a profissão de Fé que dizia:  ...Creio na ressurreição dos mortos... Repetimos o credo diversas vezes. Foi o que nos deu força. 

No velório, outros 3 jovens também tinham sido assassinados. Quanta tristeza... Novamente não tinha palavras para consolar. Só encontrei forças nas palavras de Jesus: Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. Na casa de meu Pai existem muitas moradas. Se não fosse assim eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também (Jo 14,1-3).
            
Tudo isso me levou a refletir: Será que creio realmente na ressurreição dos mortos? Novamente fui buscar na Palavra de Deus as respostas para nossa fé...

A Morte
Diz o ditado: A única certeza que temos na vida é que vamos morrer! Esse ditado é quase verdade. De fato temos certeza de que todos morreremos um dia. Mas a fé também nos dá a certeza da ressurreição!!! A Bíblia nos descreve que a morte é fruto do pecado (Gn 2-4). Pelo pecado da origem da humanidade, que buscava ser como Deus, a morte entrou na vida humana e alastrou um caminho de tristeza e dor.
            
No Antigo Testamento se acreditava que, após a vida, o ser humano habitaria a Mansão dos mortos, isto é, o Xeol. Um lugar onde não há vida. Um lugar onde deixaríamos de existir. Não havia ainda a esperança de vencer a morte. Uma vida longa era o resultado de uma vida abençoada por Deus.
            
A Morte é uma realidade triste. Muitos têm medo. Outros preferem sonhar que os mortos voltam (reencarnação). A Igreja prefere crer que a vida continua depois da morte, pois foi o que Jesus nos ensinou. Ninguém volta (Hb 9,27) e os vivos podem fazer da vida um suave caminhar para Deus com a transição da morte. Encarar a morte não como fim, mas como transição para um momento eterno de amor.

A Ressurreição na Bíblia
Encontramos o primeiro relato claro da esperança da Ressurreição na Bíblia no segundo livro de Macabeus, no capitulo 7. Toda uma família (a mãe e seus 7 filhos) é torturada e assassinada pelo rei grego Antíoco. O Filho mais novo (vers. 30-40) testemunha que Deus dá a vida eterna como prêmio para quem for justo e fiel.

No tempo de Jesus, os fariseus eram os grandes anunciadores da Ressurreição. Já os saduceus (sacerdotes e seus amigos) não acreditavam que a vida vencia a morte (Mc12,18-27).

É com a chegada de Jesus, que a Ressurreição é anunciada também para os pequenos e pecadores. Jesus é a testemunha da Ressurreição.

Vejamos, então, o testemunho bíblico da ressurreição de Jesus. A morte de Jesus é atestada por todos os evangelistas (Mt 27,50; Mc 15,37; Lc 23,46; Jo 19,30). Após a Sua morte, Jesus foi sepultado em um sepulcro, que, em virtude de sua ressurreição, os discípulos o encontraram vazio (Jo 16,5-6). Jesus apareceu, ressuscitado, pelo período de 40 dias aos seus discípulos, até que subiu aos céus (At 1,1-11). Algumas pessoas viram a Jesus: 1) Maria Madalena – no túmulo (Jo 20,11-18); 2) Várias mulheres – próximas ao túmulo (Mt 28,9-10); 3) dois discípulos – no caminho de Emaús (Lc 24,13-32); 4) Pedro – em localização indefinida (Lc 24,33-35); 5) aos dez discípulos – no salão superior (Lc 24,36-43); 6) aos onze discípulos – no salão superior (Jo 20,26-31); 7) a sete discípulos – no Mar da Galileia (Jo 21,1-25); 8) aos onze discípulos – no monte (Mt 28,16-20), e talvez, nesse mesmo lugar, aos 500 irmãos (1Cor 15,6-9); aos discípulos – próximo a Betânia (At 1,9-12). Vários líderes religiosos deixaram suas marcas e ensinamentos na história da humanidade. Todos morreram e seus restos mortais ainda se encontram na sepultura. Somente o sepulcro de Jesus se encontra vazio, a respeito dEle, os anjos disseram: “Ele não está aqui, porque já ressuscitou” (Mt 28,6). Esse é motivo de grande surpresa, como o foi para os oficiais romanos (Mt 28,2-4), para todos nós também. Os discípulos, por sua vez, passaram a ter plena convicção daquele acontecimento, o que lhes trouxe coragem e ousadia. Homens que, de medrosos, passaram a anunciar o Evangelho de Cristo, sacrificando suas próprias vidas por amor a Cristo (Jo 20,28; At 2,24-32; 3,15; 5,30).

A Ressurreição de Jesus e a nossa vida
Jesus venceu a morte. Jesus matou a morte e a morte morreu de susto ao ver Jesus ressuscitado. Sim, a morte continua a existir. Continua a ser um problema para todos, mas adquiriu um tom de esperança. A morte deixou de ser desespero para ser um momento de esperança. Uma porta que se abre para uma vida nova, uma vida diferente. No fim da história a morte é derrotada para sempre (Ap 20,14). 

Não nascemos para morrer. Nascemos, temos de morrer; mas morremos para viver em Deus e com Deus. Perante a morte dos outros, é legítimo o luto, as lágrimas, a dor, a tristeza o sofrimento de perder um ser querido. Mas a esperança da ressurreição dá um sentido novo ao morrer. A morte não é o fim. A morte é uma passagem dolorosa (ou não…) para outra forma de vida.

Esta é a fé cristã baseada na ressurreição de Jesus. Estamos salvos… Estamos ressuscitados… Em esperança. Um dia tomaremos posse dessa luminosa esperança… Por isso eu Creio na ressurreição dos mortos.

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, sois o Vivente, sois a Ressurreição e a Vida. Impregnai minha vida com a vossa ternura para eu seja uma criatura nova. Apagai em mim todo sinal de morte e renovai cada célula minha com a força da Ressurreição. Assim seja!


quinta-feira, 27 de março de 2014

A Bíblia é a luz da verdade

Disse Jesus: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (Jo 8,32)

Certo dia, um irmão de outra igreja resolveu discutir Bíblia comigo. Eu disse que a Palavra de Deus é para iluminar nossa vida e não para causar discussão. Mas o irmão discutiu. Ele me disse que era meu irmão e que, como irmão, devia me dizer a verdade. Então me falou que a Bíblia diz que Maria teve mais filhos e que não era virgem. 

Pedi para que ele me mostrasse a passagem onde isso estava escrito: Jesus foi para Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E esses milagres que são realizados pelas mãos dele? Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa de Jesus.(Mc 6,1-3)

Para se ler a Bíblia é preciso ser honesto. A Bíblia é Palavra de Deus e não nossa. É Deus quem nos fala pela Palavra. Não devemos usar a Bíblia para levá-la a dizer aquilo que nós pensamos, mas aquilo que Deus pensa. Respondi ao irmão usando a própria Bíblia. Eis minhas considerações...

1) A Bíblia não diz que Maria teve mais filhos, mas disse que Jesus era filho de Maria e que Ele era irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão.

2) Em nossa cultura irmãos são os filhos do mesmo pai e mãe. Na cultura judaica, irmãos (adelfoi, em grego. Arrim, em hebraico) são toda a parentela, todo o parentesco sob a guia dos mais velhos. Exemplo: em Gn 29,15 encontramos: "Então Labão disse a Jacó: por seres meu irmão...", certamente pensamos que Jacó e Labão eram irmãos de sangue. Mas não!!! Em Gn 29,5 vemos: "...Conheceis Labão, filho de Nacor?..." E em Gn 25,21-26, Jacó era o filho de Isaac e Rebeca. Labão era o filho de Nacor. Eles não eram irmãos de sangue, mas parentes.

3) Tiago, Joset, Judas e Simão são, na nossa cultura, primos de Jesus. Vejamos:
a) Mc 15,40: "E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago o menor e de Joset, e Salomé".
b) Jo 19,25: "Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe (Maria), a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena".
c) Mt 10,2-3: ...Tiago, o filho de Alfeu, e Judas, cujo apelido era Tadeu". Obs.: Alfeu é Cléofas em hebraico.
d) At 1,13: "...Tiago, o filho de Alfeu e Simão zelota e Judas, o irmão de Tiago."

Prestem atenção. Existe uma "outra Maria", que era a esposa de Cleofas (Alfeu), e a mãe dos três "irmãos" de Jesus: Tiago Menor, Joset e Judas. Essa outra Maria é a irmã de Maria, mãe de Jesus. É tia de Jesus. Maria é um nome muito comum no judaísmo. Isso significa que Maria mãe de Jesus, não era a mãe de Tiago, Joset e Judas apresentados em Mc 6,3. Simão é o aparece em Mc 3,18, e é chamado de zelota em Mt 10,4, Lc 6,15 e At 1,13. Judas, que provavelmente escreveu a Carta de Judas, diz que é irmão de Tiago em Jd 1,1. Judas também é chamado de Tadeu em Mt 10,3 e em Mc 3,18, para não confundir com Judas Iscariotes. Todos são primos de Jesus e são chamados irmãos.

Voltando à história. Aquele irmão de outra Igreja ficou espantado com minhas observações. Ele disse que nunca havia pensado nisso. De fato, ele ainda não tinha lido a Bíblia com o coração, mas somente com o desejo de mostrar que sua igreja estava certa. Por isso, ele acabou traindo a Bíblia e sua mensagem de vida. O irmão não deixava Deus falar...

Por fim eu lhe disse que eu não conhecia seus pais. Mas, mesmo assim, ele me chamava de irmão. Não somos irmãos de sangue e nos chamamos de irmãos. É assim com Jesus. Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” (Mc 3,34-35).

Concluindo: Maria não teve outros filhos. Mas, por Jesus, somos todos filhos de Maria. Existem filhos de outras igrejas que não amam Maria nossa mãe. Mas, Maria nunca deixará de amar todos os seus filhos. Até os ingratos. Que a Bíblia nos ilumine. Amém

Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, derramai sobre mim a vossa verdade e inundai-me com a vossa sabedoria. Que vossa Palavra nunca seja manipulada por mim. Escrevei, ó Mestre, a vossa Palavra nas tábuas de meu coração. Assim seja.



quarta-feira, 26 de março de 2014

Santo Antônio e a Palavra de Deus

E, desde menino, você conhece as Escrituras Sagradas, as quais lhe podem dar a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus. Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações. (2Tm 3,15-17)

Hoje cedo tive uma lembrança: uma amiga minha, senhora de muita fé e de bom humor, dizia-me que Santo Antônio fazia tantos milagres, que um dia seu superior o proibiu de fazer milagres. Um dia, passando perto da igreja, um pedreiro, que trabalhava na torre da igreja, desequilibrou-se e caiu. Como Santo Antônio estava proibido de fazer milagres, fez com que o pedreiro parasse no ar, e foi até seu superior e pediu autorização para fazer esse milagre. O superior consentiu, e Santo Antônio fez com que o pedreiro caísse num lugar macio.

Por que precisamos de histórias tão fantasiosas para crer? Percebia que quanto mais miraculosa era a história, mais nos afastávamos do que realmente foi Santo Antônio.

Antônio de Lisboa ou Antônio de Pádua ou Fernando de Bulhões ou, simplesmente, Santo Antônio. Santo Antônio é um dos santos mais amados de nosso povo. Mas sua história real é pouco conhecida. Sua fama gira em torno de milagres e casamentos.

No entanto Santo Antônio foi um grande estudioso e pregador da Palavra de Deus, defensor dos pobres, prediletos de Jesus. Amigo de São Francisco, seguidor de seu estilo de vida, seus sermões são fonte de Espiritualidade e vida, e revelam a mais profunda beleza da doutrina da Igreja, sendo chamado por esta de: Doutor Evangélico. Ele foi proclamado Doutor da Igreja em 1946, pelo Papa Pio XII.

Apaixonado pela Palavra de Deus, Santo Antônio foi estimulado por São Francisco para ensinar a Palavra e a Teologia Sagrada. E isso ele fez com todas as forças. Encontrando-se com Jesus na Bíblia, Santo Antônio encontrou Jesus entre os pobres e tornou-se Profeta do Evangelho. Seus sermões causaram o furor dos ricos e encantaram os mais pobres, pois, seguindo e exemplo de Jesus, Mestre do Evangelho, deu exemplo de humildade e pobreza. Antes de pregar coma boca, Santo Antônio pregava com a vida...

Como Biblista, Santo Antônio tinha grande intimidade com a Palavra de Deus. Navegava pela Palavra com maestria e dedicava horas e horas na meditação do Santo Evangelho. Sua interpretação das Sagradas Escrituras revela a verdade mais profunda que, ainda hoje, nos ajudam a compreender melhor a Bíblia e sua mensagem. Vamos a um exemplo:

Certa vez, num curso de Bíblia, um aluno perguntou-me sobre os dons de línguas citados nos Atos dos Apóstolos:Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa.” (At 2,4). O aluno pensava que falar em outras línguas era falar línguas diferentes do português ou falar línguas dos anjos. Houve discussão na sala. Fiquei de pesquisar melhor sobre o assunto e nosso santo me ajudou. E então o que é falar em línguas?

Santo Antônio nos responde em seu sermão de Pentecostes, denunciando aqueles que pregam muito e pouco ou nada praticam:

“Quem está cheio do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos de Cristo, tais como a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência. Falamos por estas virtudes quando mostramos aos outros em nós mesmos. A língua é viva, quando as obras falam. Cesse, por favor, as palavras; falem as obras. Estamos cheios de palavras, mas vazios de obras e, por isso, somos amaldiçoados pelo Senhor. Ele mesmo amaldiçoou a figueira em que não encontrou fruto, mas somente folhas (Mt 21,19). Diz São Gregório: ‘Há uma lei para o pregador: que faça o que prega’.  (...) Falemos portanto, conforme o Espírito Santo nos tiver concedido que falemos, pedindo-lhe humilde e devotamente que nos derrame a sua graça.” (Pentecostes 15)

É isso: para Santo Antônio as línguas são as ações, as obras que fazemos para construir o Reino de Deus ensinado e manifestado por Jesus Mestre. De fato, quando fazemos o bem, toda pessoa percebe que somos de Deus e entende que fazer o bem é o grande ensinamento de Jesus. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu”. (Mt 5,16).

Santo Antônio nos mostra que a Palavra de Deus deve ser refletida, meditada, saboreada e praticada com amor. De nada adianta falar, falar... O mais importante é viver, viver em Cristo Jesus e seguir seu mandamento de amor na ajuda dos mais pobres e fracos.


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, fazei de mim, a exemplo de Santo Antônio, um discípulo apaixonado pela vossa Palavra. Que eu possa dedicar minha vida à luta pela justiça e cantar para sempre o vosso louvor. Assim seja!


terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre a Cruz

“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14)

Uma grande amiga presenteou-me com uma bela cruz. Levo-a em meu peito num cordão que uma outra grande amiga fez em crochê. Numa comunidade uma pessoa olhava muito para mim. No fim da reunião ela pediu para ver a cruz. Achou a cruz muito bonita e disse que queria uma cruz como aquela. 

Fiquei pensando sobre isso. A cruz se tornou enfeite. Brincos, colares, anéis, etc. Vemos a cruz em todos os lugares. Até em lugares onde se pratica a maldade. Mas, até que ponto sabemos que a cruz é um projeto de vida? Sabemos que a cruz é um sinal de amor?

No inicio, a cruz era o pior instrumento de tortura. Destino dos opositores aos impérios e sorte dos amaldiçoados. A cruz foi vista como a pior das armas.

Depois, na cruz, foi pregado Jesus Mestre. Num profundo gesto de amor, para nos salvar de todos os males, o Cristo se entrega voluntariamente à tortura da crucifixão. Por mais violenta que era, a cruz deixava de ser sem sentido, e passava a ser o altar verdadeiro onde o verdadeiro cordeiro era imolado. Assim, a cruz se tornou o verdadeiro símbolo do amor.

Agora a cruz é um projeto de vida e de espiritualidade. A cruz representa amor, entrega, humildade, serviço, caridade, combate, paz, comunhão. 

Para o discípulo de Jesus, a cruz é uma meta a ser atingida através da identificação com seu Mestre. O sonho do discípulo é ser como o Mestre. Mas, como ser como um Mestre que morre tragicamente numa cruz? Deveremos carregar a cruz que Ele carregou? A resposta é não! Jesus tornou-se sacrifício para que nós não fôssemos sacrificados. Ele diz: “E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”. (Lc 14, 27) Jesus nos pede que carreguemos a nossa cruz e não a dEle.

O discípulo deve assumir sua própria vida, com seus riscos e problemas, com suas dores e dilemas, sem deixar de lado o projeto de seu Mestre que consiste em vida plena para todos (cf. Jo 10,10). É vivendo o discipulado que conseguiremos olhar para a cruz e relacionar a dor do Mestre com as nossas dores. a cruz só tem sentido quando percebemos o sacrifício daquEle que entregou toda a sua vida  no altar da cruz. A cruz não é adorno nem enfeite. A cruz não serve para embelezar pescoços. A cruz serve para nos lembrar que alguém morreu por nós e também serve para nos convidar a seguir os passos do Mestre que tem o melhor projeto para as nossas vidas. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, em vossa Cruz assumistes as dores de toda a humanidade em todos os tempos. Fizestes sacrifício de vossa própria vida para que nós tenhamos vida plenamente. Fazei que eu possa carregar o símbolo de vossa cruz no meu peito e consiga carregar a minha cruz no dia a dia. Assim seja.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Violência, lado sombrio

Aí Caim disse a Abel, o seu irmão:— Vamos até o campo. Quando os dois estavam no campo, Caim atacou Abel, o seu irmão, e o matou. (Gn4,8)

A história de Caim e Abel sempre me intrigou. Nunca compreendi essa história de irmão matar irmão. Mas, a violência é uma realidade presente na história humana.

Tenho um amigo convertido que fala muito de Deus. Passou a pregar e organizava belos momentos de oração. Certa vez, esse amigo se desentendeu com algumas pessoas da comunidade. Dominado pela raiva, ele quase agrediu um irmão quando foi "tirar satisfação". Confesso que o olhar de meu amigo dominado pela raiva me impressionou. Ele, que parecia um "cordeirinho", tinha se transformado num ser totalmente violento. Seu semblante tornou-se sombrio. Seu olhar tinha um ar de insanidade.

A violência é uma realidade existente na alma humana. De certa forma, temos trevas dentro de nós. Quando nos afastamos da luz as trevas reinam em nossa vida. Tornamo-nos violentos, ou pior, liberamos nossa violência.

Infelizmente, hoje eu vejo em muitos cristãos e cristãs aquele mesmo olhar insano, cheio de raiva e violência. Ainda hoje eu tenho medo desse olhar e sempre peço a Jesus Mestre que me liberte desse olhar.

Não podemos subestimar a violência que habita em nós. Há muitos cristãos infelizes porque não cuidaram de aspectos fundamentais da vida. Deixaram de rezar, de participar da comunidade, de conversar em família. Valorizaram muito o dinheiro e os bens materiais. Não passeiam, não viajam, não celebram, etc. Dizem que acreditam em Deus, mas vivem como se Deus não existisse. Em condições como essas, o lado sombrio cresce e afasta a luz. O olhar insano reflete o que a pessoas tem dentro de si: uma fera prestes a atacar. 

Somente a luz pode controlar as trevas. Para nós cristãos, Jesus Mestre é a luz do mundo e somente Ele tem o poder de controlar nosso lado sombrio. Sua luz é tão intensa que, quando abrimos a porta do coração, ela invade nossa alma plenamente iluminando todos os cômodos de nossa vida. 

Jesus, sempre Ele, é a única saída. Sua história de amor é a prova que Ele pode trazer equilíbrio para nossa vida. A espiritualidade é o caminho para o equilíbrio. Espiritualidade é diferente de fanatismo espiritual. Fanatismo espiritual é caminho para a insanidade. Espiritualidade faz a pessoa se tornar "legal". Fanatismo espiritual faz a pessoa ser chata. E ter aquele olhar insano. Procure um diretor espiritual, ele pode nos ajudar.


Oração: Senhor, Jesus Cristo, Mestre de mim, afastai de minha vida aquele olhar insano, fruto da raiva e da violência, nascido do desequilíbrio de meu ser. Fazei que meu olhar coincida com o vosso e que meu espírito encontre em Vós o equilíbrio para viver a vossa paz. Assim seja.


domingo, 23 de março de 2014

Odres novos

Disse Jesus: Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho. (Mt 9,17)

Quando ouvimos sobre odres e vinhos, imaginamos jarros de barro contendo o bom vinho da alegria. No entanto o odre é um antigo recipiente feito de pele de animal, geralmente de cabra, usado para o transporte de líquidos.

O vinho novo continua seu processo de fermentação na vasilha onde é depositado. O Odre velho já endurecido não tem mais elasticidade, e se receber vinho novo, os gases produzidos pela fermentação rompem com o odre. 

Odre novo tem elasticidade suficiente para receber o vinho que ainda continua a se fermentar e suporta os gases sem se romper. Jesus sabe o que fala.

Jesus Mestre traz a novidade de seu ser ao mundo. O Evangelho é a maior novidade da história. O Evangelho é uma força tão grandiosa que pode transformar todo o universo. A proposta de Jesus é a solução para todos os problemas de nossa realidade. No entanto, o Evangelho exercerá sua força transformadora dentro de um coração aberto para a novidade de Cristo. 

O Evangelho — vinho novo — não pode se desenvolver dentro de um coração egoísta — odre velho. Nosso mundo capitalista forma as mentes a partir da ditadura do lucro e da cobiça. Esse odre velho não tem como sustentar o vinho novo trazido por Jesus.

Se nós somos dominados pelo espirito capitalista, dificilmente aceitaremos de verdade a Verdade que é o Evangelho de Jesus. Precisamos ser odres novos, abertos para a novidade de Jesus, sem perder as raízes da esperança. É o vinho novo de Jesus o melhor vinho. Se aceitarmos o projeto de Jesus em nossas vidas, Ele nos transformará de tal forma que iluminaremos nossos irmãos e irmãs com nossos exemplos e nossas convicções. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, estou cansado de ser odre velho que não retém dentro de mim o vinho novo de vosso amor. Penetrai em minha vida e transformai-me em odre novo para que eu vença todo egoísmo e me assemelhe a Vós. Assim seja.


sábado, 22 de março de 2014

Beber água viva

Disse Jesus à samaritana: «Quem bebe desta água vai ter sede de novo. Mas aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.» (Jo 4,13-14)

Bebemos água todos os dias de nossa vida. Dizem os estudiosos que somos 70% de água. Usamos água para quase tudo e geralmente estamos tão acostumados com ela que só a notamos quando ela está em falta. A água não é ilimitada.

Na Bíblia, desde o princípio, o Espírito Santo já pairava sobre as águas. Água com Deus gera vida. Água sem Deus gera morte, como o exemplo do dilúvio. Assim, a água geradora de vida é água que derrama a graça de Deus no coração humano.

Todo nosso corpo recebe água. A água invade todas as nossas células e nos dá equilíbrio. Nos hidrata e ajuda a manter nossa temperatura no nível correto. Nosso corpo assimila a água e somos assimilados por ela.

Jesus Mestre nos oferece água viva. Essa água é Ele próprio a dar razão para a nossa existência. Acolher a Palavra de Jesus é beber dessa água, e quando assim fizermos, estaremos assimilando Jesus em nossa vida e seremos assimilados por Ele.

Jesus nos ensina que nós seremos um com Ele. Ele e o Pai virão a nós para nos habitar (Jo 14,23). Ele foi assimilado pela samaritana que teve sua vida transformada até a medula. A samaritana foi cristificada, pois ela também foi assimilada por Jesus Mestre.

Nossa relação com Jesus Mestre passa pela assimilação: beber da fonte que é Jesus e fazermos parte de sua vida. Ele nos chama e nós passamos a morar com ele e ele conosco. Nossa casa vira a casa do Mestre. Ele passará a mandar em nossa casa, mas sempre as decisões serão tomadas por nós. Mas os critérios serão os de Jesus. Isso é cristificação. 

Seremos cristificados à medida em que bebermos da fonte de água viva. A Espiritualidade cristã é o caminho no qual o ser humano é conduzido ao poço onde Jesus está sentando à nossa espera. Como a samaritana somos convidados a abandonar nosso balde de mediocridade para que Jesus faça de nosso coração seu sacrário de amor. Paz e bem!


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, quero beber a água viva que sois Vós. Fazei que eu possa abandonar os baldes que contém as águas paradas de uma vida centrada em mim, para mergulhar no poço de vosso amor. Assim seja.