sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Católicos "meia-boca"

Disse Jesus: “Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu mando. (Jo 15-14)

Uma amiga minha, velha conhecida de Igreja, me surpreendeu negativamente ao se declarar a favor do aborto. Ela, sendo "católica", assumiu abertamente sua posição favorável à morte de uma pessoa que ainda não nasceu. Mesmo conhecendo a doutrina católica sobre a vida, ela se diz católica e favorável ao aborto. 

Lembrei-me de um conceito defendido por uma jovem amiga da Pastoral da Juventude que dizia que vivemos num tempo de "Católicos meia-boca". 

O Católico meia-boca é aquele que se diz católico, mas se coloca diversas vezes contra o ensinamento do Evangelho e da Igreja. É aquele tipo de pessoa que comunga a eucaristia, mas não comunga a doutrina nascida a partir da Palavra de Deus. 

Ser católico significa ser livre para fazer o que quiser, lembrando que nem tudo convém a ser feito (cf 1Cor 6,12). Ser católico implica na vivência de direitos e deveres. Ser católico permite a discussão de tudo sem abrir mão do fundamento que é o Evangelho. A Igreja nunca abrirá mão do Evangelho que, em última instância, é Jesus que é Vida. 

Nós católicos podemos discutir nossa doutrina, mas não podemos ir contra a clareza do Evangelho. O Evangelho é muito claro em sua defesa da vida, pois Jesus sempre se colocou ao lado do mais fracos e indefesos: pobres, crianças, mulheres, doentes, viúvas, marginalizados, etc., são defendidos por Jesus que sacrifica a própria vida para nos dar vida plenamente. A morte não será defendida por aquele que venceu a morte. 

Assim, ser católico nos dá liberdade, pois "foi para a liberdade que Cristo nos libertou”(Gl 5,1), mas também nos traz uma imensa responsabilidade na defesa da vida. 

Este pequeno artigo não quer tratar das razões éticas e filosóficas porque a Igreja é contra o aborto, mas sim tratar da contradição vivida por aqueles que se dizem católicos e assumem posições imensamente contrárias à fé católica. 

Biblicamente a frase de Jesus Mestre: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância"(Jo 10,10) é suficiente para qualquer cristão católico, isto é, para qualquer pessoa que leva as palavras de Jesus a sério, seja radicalmente contra o aborto. Eu repito, apenas esse versículo é suficiente para que sejamos contra o aborto. Ser a favor do aborto é ser contra o Evangelho e ponto final. 

Dizer-se católico e ser a favor do aborto é uma gigantesca imbecilidade típica das pessoas mais néscias que desconhecem o Evangelho e negligenciam a pessoa de Jesus que, encarnando-se entre nós, habitou o ventre de Maria como embrião, feto e bebê, nascendo e sendo criança como qualquer criança que não foi assassinada no ventre materno. 

O católico meia-boca é aquele no qual Jesus tratou no livro do apocalipse: "Conheço sua conduta: você não é frio nem quente. Quem dera que fosse frio ou quente! Porque é morno, nem frio nem quente, estou para vomitar você da minha boca."(Ap 3,15-16) 

Sim, o católico meia-boca, faz Jesus vomitar. Ou ele muda de vida, ou será extirpado do corpo de Jesus. Vejam, o católico meia- boca, não permanece com Cristo, assim Cristo não permanece nele. Será cortado pelo Pai, será juntado com outro ramos secos e, por fim, será queimado. (Cf Jo 15,1-4)

Resumindo, o católico meia-boca simplesmente não é católico. Um católico não pode assumir a fé contra o Evangelho que é a fonte da própria fé. Só resta a conversão. 

É provável que a espiritualidade do católico meia-boca seja um diálogo infrutífero, pois qualquer pessoa que sinceramente se coloca na escuta do Mestre há de concordar que a vida indefesa de quem ainda não nasceu é preciosa ao Pai eterno. A oração deve nos levar a fazer a vontade de Deus e não o contrário.

Precisamos rever nossas posições à luz do Evangelho e da doutrina da Igreja, a fim de sermos coerentes com nossa fé. Não podemos assumir a fé pela metade. Ou sejamos quentes ou sejamos frios…

Sobre o aborto escreveremos em breve. Paz e bem. 



Oremos: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, vosso Evangelho é Palavra de Vida. Vós destes vossa vida por mim e por todos e me chamastes para ser vosso discípulo. Peço a Vós que não me deixeis viver contra a Vossa Palavra e que me permitais viver segundo a vossa vontade. Assim seja. 


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Papinho com o Mestre

Disse Jesus: "Ei, eu quero conversar contigo, pois há tempo tu não me escutas. Tenho muitas coisas a te dizer.

Eu respondi: "Eu não sei se quero conversar contigo, Mestre. Por vezes me desviei do caminho que tu me ensinaste. Tenho percebido que me afasto de ti todos os dias. São tantos os erros que eu cometo. Não tenho sido um bom discípulo teu."

Jesus disse: "Como assim?"

Eu continuei: "Eu queria mudar o mundo. Sonho com a missão de levar teu amor a todos. Queria te anunciar pelos quatro cantos do mundo. Mas, me vejo sempre sem forças para te levar. Minha vida é por vezes dominada por atitudes egoístas. A rotina de minha vida tornou-se um trabalho sem sabor. A vida se tornou insossa para mim. As pessoas que me cercam são fofoqueiras e ambiciosas e eu já não mais confio nelas. Também não mais confio em mim, pois eu não presto. O mundo está cada vez pior: pessoas matando, mentindo... Corrupção em todas as instituições. Religiões matando em nome de Deus, gente usando o teu nome Mestre para enganar quem é mais pobre. Eu não creio mais no ser humano. Eu não creio mais em ninguém. Eu não creio em mim".

Jesus disse: "Muito bom!!!"

Eu retruquei: "Como assim muito bom??? Está tudo ruim!!!"


O Mestre disse: "Muito bom, porque tu não querias falar comigo e
até agora tu não paraste de falar! Tu ainda acreditas em mim?"


Eu disse: "Claro que acredito!"


Jesus falou: "Se acreditas em mim, pare com esse mimimi e siga-me! Eu já te disse que o caminho não seria fácil. Eu já te disse que eu estaria ao teu lado. Eu já te disse que você precisa sempre falar comigo e pedir a minha opinião em tudo. Eu já te disse que eu morri e morreria de novo por ti. Eu já te disse que te amo eternamente. Eu já te disse que eu permaneço em ti se tu permaneceres em mim. Eu já te disse que mesmo que morras eu te ressuscitarei. Eu já te disse que eu já te preparei um lugar na casa de meu Pai. Eu já te disse que eu te darei o meu Espírito. Eu já te disse que os teus cabelos já estão todos contados pelo Pai. Eu já te disse para não te preocupares com o dia de amanhã. Eu já te disse que eu coloco as minhas palavras em tua boca. Eu já te disse para não ter medo..."

Senhor - eu disse  interrompendo o Mestre - eu sei que tu me falaste tudo isso.

Jesus Mestre me disse: "Se tu acreditares em minha Palavra, todos os teus sonhos serão realizados. Basta creres em minhas palavras e serás meu discípulo amado". 




Religião é coisa séria!

Disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. (Mt 6,24)

Quando pensamos em religião, pensamos em aprimoramento do ser humano, onde a doutrina e a ética, reflexos da espiritualidade, transformam a pessoa em alguém melhor. 

No entanto, a religião pode ser instrumentalizada de tal forma que produza no ser humano a pior espécie de sentimento. A religião, quando banalizada, desperta nas pessoas tudo o que há de mais nocivo: preconceitos, fanatismo, ganância, ódio, egoísmo, etc. 

A religião banalizada tem outros objetivos que não a religação do ser humano com seu Deus. Riqueza, poder e fama são os verdadeiros objetivos da religião banalizada. O ridículo é apresentado como lindo; a mentira é apresentada como verdade; a ganância é apresentada como gratuidade e o egoísmo é apresentado como santidade. 

Tempos atrás, certo pastor afirmou que uma menina estava morta (mesmo estando ela respirando) e assim ele simulou a ressurreição da criança. Uma mulher, dizendo que tinha dores no útero, após ser "exorcizada" por um pastor, jurou que "deu à luz" à três caveiras de plástico (destas vendidas em camelôs a 4 reais). Vi um padre dizer que ao fazer um exorcismo a endemoninhada se levitou e pairou no ar (parece filme de terror). Outro cidadão disse que tinha uma grande dívida no banco e que, ao passar o lenço, em que o pastor enxugara seu suor, na maçaneta da porta do banco, teve sua dívida desaparecida misteriosamente! 

Todas essas histórias seriam consideradas ridículas por qualquer pessoa com o mínimo de atividade cerebral. No entanto, muitos cristãos e cristãs atribuem essas mentiras escandalosas a Deus, como se isso fosse verdade. 

Por outro lado, em nome da religião, vemos pessoas invadindo igrejas e destruindo imagens, vemos traficantes supostamente "convertidos" ao evangelho (e ainda traficantes) expulsando das favelas aqueles que frequentam as religiões de matrizes africanas (Candomblé e Umbanda). Vemos famílias destruídas porque seus membros neo-convertidos se recusam a se misturar com os parentes "contaminados". Tudo isso em nome de Deus, mas Deus passa longe desses absurdos. 

A religião banalizada explora a fraqueza humana e com isso faz riqueza para suas autoridades. A pergunta que me faço é a seguinte: "Como a religião banalizada consegue atrair e convencer tantas pessoas?" 

Ao analisar a religião banalizada percebemos que há um discurso comum que atinge e convence as pessoas através de suas fraquezas. Geralmente o discurso "faz a cabeça" da pessoa "fisgando- a" pelo medo, pela culpa ou pela ganância. Vejamos alguns exemplos: 

1) Fisgando pelo medo 

A religião banalizada fisga as pessoas pelo medo. Muitas pessoas têm uma vida "podre" ou um passado que dá vergonha e, em determinado momento, elas passam a ter medo de perder sua família, perder sua alma, de ir para o inferno, etc. É aí que os pregadores falam para a pessoa que só uma adesão a tal igreja vai libertar a pessoa do mal que há de vir. E para garantir sua participação ativa nessa nova denominação, a pessoa passará a ofertar grandes somas para demonstrar sua nova fé e garantir sua entrada no céu já aqui na terra. 

2) Fisgando pela culpa 

A religião banalizada também fisga as pessoas pela culpa. São tantas as pessoas que sofrem porque se sentem culpadas pelas desgraças que acontecem na vida. Mães e pais que se sentem culpados porque seus filhos são usuários de drogas. Mulheres que se sentem culpadas porque seus esposos são alcoólatras. Em seus sentimentos de culpa, as pessoas prometem entrar em certas igrejas, pois foram-lhes prometidas que tudo mudaria e, para alcançar a libertação, elas devem investir em ofertas para conquistar a mudança por Deus prometida. 

3) Fisgando pela ganância 

A religião banalizada aproveita a ganância das pessoas para fisgá-las e "depená-las" ao extremo. Pessoas com problemas financeiros são ludibriadas com promessas de que se investirem em Deus (ofertar todo o dinheiro) receberão em dobro e conquistarão o sucesso financeiro. Pessoas ambiciosas que querem sua casa na praia, seu conversível importado, sua mansão, sua piscina, etc., são incentivados a se "converterem" para receberem a graça da prosperidade prometida pelas igrejas. 

DOIS DETALHES 

1) A banalização da religião tem afetado todas as Igrejas. Umas mais, outras menos. Geralmente as Igrejas históricas ainda são as menos afetadas pela banalização da religião. As igrejas mais recentes são as mais afetadas. Hoje se tem cultos e missas específicas para empresários, a fim de que Deus derrame a prosperidade sobre seus negócios... 

2) A princípio o discurso da religião banalizada diz que o que Deus quer é a santidade das pessoas. É vivendo a santidade que Deus derramará a prosperidade na vida das pessoas. No entanto, como a santidade geralmente é algo distante da vida das pessoas, elas devem compensar a falta de santidade com um investimento financeiro para provar a fé. Se não posso ofertar a Deus minha santidade, devo ofertar a Deus o meu dinheiro todo para provar que eu tenho fé e, pela fé, Deus terá de me recompensar com a prosperidade. 

CONCLUSÃO 

A única vacina que temos contra a doença da religião banalizada é o Evangelho. O Evangelho é quem corrige os desvios das igrejas. Porém, a religião banalizada usa o evangelho a seu bel-prazer, selecionando apenas os textos que lhe interessa, dispensando os textos que "puxam a orelha". Uma Igreja honesta, assume o Evangelho por inteiro e reconhece que precisa crescer muito na obediência a Deus. 

Nossa adesão à Igreja deve ser antes de tudo uma adesão a Jesus Mestre e seu Evangelho. Todos nós temos medos, culpas e ganâncias, mas eles nunca devem ser o alicerce de nossa fé. Religião se vive é na liberdade. Ou seguimos a Cristo livremente, ou nossa fé e nossa religião serão banalizadas. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, sois a ternura e a fortaleza em minha história. Fazei que eu viva a minha fé e minha religião na busca da verdade. Que eu não banalize a minha fé e que meu seguimento de vosso caminho não seja alicerçado em meus medos, culpas ou ganâncias, mas seja fundamentado no único sentimento que realmente me liberta: o amor. Que o vosso amor, ó Mestre, seja a razão de meu viver. Assim seja.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Crespúsculo e o Mestre


Depois de um dia intenso,
Estando muito cansado.
Adormeci no sofá.
E eu tive um sonho.
Sonhei com o oriente,
Vislumbrei o crepúsculo vespertino,
A beleza do sol poente
Com seus raios avermelhados
Refletidos num grande lago.
Beleza gigantesca,
Harmonia inefável,
Eu nem sei como dizer.

O poente sempre me deu tristeza,
Sua imagem me é nostálgica.
E apesar desse sentimento,
Sempre gostei de observar o fim do dia
E me encantar com o começo da noite.
O sol, com sua luz enfraquecida
Dá o seu lugar para a Luz que é eterna.

Nesse meu sonho
percebo o entardecer
Nas águas do mar da Galileia.
Logo passo a imaginar
Que ali, em meu lugar,
O Mestre está a descansar
Olhando o poente,
Contemplando alegremente
Em sintonia com o amor do Pai.

Imagino o meu Mestre
Num silêncio elegante
Totalmente confiante
Me ensinando a rezar.
Imagino-me ao seu lado,
Também num silêncio contemplante
Aprendendo a ser orante
Vendo o sol se pôr
Naquele mar de água-doce.

Em meu coração pedi:
"Senhor, façais de mim
Um orante como Vós,
Para que eu tenha o vosso olhar
E saiba contemplar
Neste mundo, neste mar,
Toda criatura,
E agora eu quero amar
Amar como Vós..."

O telefone tocou...
Eu acordei
e não terminei a minha oração.
Que pena...
Esperarei outro sonho...
Ou contemplarei,
Mais uma vez
O entardecer.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O ódio fantasiado de Amor

Disse Jesus: “Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça.  (Mt 23,27-28)

Quando eu era seminarista e estava no penúltimo ano de seminário, eu dava um curso de Bíblia numa paróquia em Campinas. Naquele dia eu tinha trabalhado o Evangelho de São João. Falávamos sobre o mandamento novo: “O meu mandamento é este: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando. (Jo 15,12-14)
           
Falei bonito, toquei os corações, despertei neles o interesse pela Palavra. Traduzi a necessidade de amarmos os mais pobres de verdade e não em teoria. Fui aplaudido quando, ao responder uma pergunta, disse que “no coração do discípulo de Jesus, não há espaço para o ódio!”

Fui embora todo feliz com a aula onde aludi sobre os mistérios do amor. No ponto de ônibus um adolescente de rua, com uma faca, roubou meu relógio (presente de uma comunidade de Hortolândia). Ele saiu correndo, mas dois homens o derrubaram e começaram a chutá-lo. Em nenhum momento eu pensei em proteger o adolescente daquelas agressões. Um sentimento de ódio profundo habitava meu coração, de tal forma que eu mesmo queria agredi-lo. Um lobo feroz habitava dentro de mim. Senti-me como Saulo, guardando os pertences daqueles que apedrejavam Estevão. Saulo concordava com o apedrejamento. (Cf. At 8,1) Foram os policiais que protegeram o adolescente. Eu era quem devia protegê-lo!!!

Esse episódio de minha vida marcou profundamente a minha espiritualidade. De lá para cá, luto todos os dias para conter o lobo feroz dentro de mim. Busco o amor de Deus para conter o ódio que habita meu coração. Percebo, desde então, os meus preconceitos e pecados. Agora vivo a batalha contra esse ódio fantasiado de amor. Tomei consciência de que não tenho força alguma para combater este lado tão sombrio. Descobri que somente Jesus Mestre pode conter essa força de morte dentro de minha alma. Jesus Mestre, vencedor de todo o mal, é a “vacina” contra o ódio disfarçado em amor.

Lembrei-me dessa experiência, agora sempre presente em minha vida, observando as atitudes e opiniões dos irmãos e irmãs nas redes sociais nestes últimos dias, principalmente o facebook. Com as eleições presidenciais os ânimos se alteraram. A polarização entre PSDB e PT gerou um índice de adesão a esta campanha eleitoral que ultrapassou quaisquer outras eleições já realizadas em nosso país. Um desejo de mudança acompanhado de intolerância ser firmou nos dois lados em disputa.

Vi pessoas boas, calmas, religiosas, amorosas se transformarem em guerreiros furiosos que despejavam seu caldeirão de ódio em quem pensava diferente.

Vi pessoas supostamente cultas, professores, tecnólogos, profissionais da saúde, ministros de Igreja, agentes de pastoral e até padres revelando preconceitos aos nordestinos e nortistas por causa do resultados das eleições. Houve também preconceito contra mineiros e paulistas...

Um exemplo de ódio. Isso foi escrito por uma pessoa de bem!
Fui chamado de “padre cabeça chata” e me falaram que eu devia sair de minha paróquia e voltar para a terra de meus pais. Me chamaram de desocupado e disseram que meu bispo devia me dar tarefas para me ocupar. É claro que eu também respondi, mas sem ofender, porém fui duro.

Em tudo isso está aquele velho lobo feroz, pronto para se manifestar quando tiver a primeira oportunidade. As eleições foram a ocasião perfeita para que o ódio, fantasiado de amor, falasse mais alto.

Gente de bem, gente de família, gente transformada em fera, cheia de ódio e preconceito, escrevendo nas redes sociais as idéias mais odiosas possíveis. Gente que fala em nome de Jesus...

Sinto uma grande vergonha daquele dia do assalto. Espero que quem destilou seu ódio possa também um dia se envergonhar de seus preconceitos. Mas, tenho uma certeza: não tenho força contra esse ódio disfarçado de amor. Só Cristo em mim pode vencer tamanho ódio. Ou nos aproximamos de Cristo ou o ódio vencerá.



Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, no mais profundo de minha alma existe um lobo feroz cheio de ódio e rancor pronto para sair e atacar quando as adversidades da vida acontecerem. Não tenho força alguma, Senhor, para domar tamanha violência. Tenho a certeza que vós podeis dominá-la. Por isso vos peço, ó Mestre: penetrai até a medula de meu espírito e, com Vossa Palavra de vida e de amor, controlai a violência e o desequilíbrio que imperam em meu coração. Que Vosso Amor e Vossa Ternura sustentem todo o meu ser. Assim seja.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Professores...

Disse Jesus aos seus discípulos: "Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo." (Jo 13,13)

Quando eu era pequeno queria ser cientista. Eu gostava muito das aulas de ciências, pois eram divertidas. Como eu amava a experiências de química e física. Nossa professora, a Tia Lúcia, sabia nos cativar. No fundo eu queria ser professor de ciências. 

Depois, comecei a gostar da Língua Portuguesa. Parei de falar “menas”, aprendi a conjugar verbos e realizar concordâncias. Aprendi a gosta de ler. 

Mais tarde foi a matemática, depois a sociologia, a filosofia, a Teologia, e nesta, a Bíblia!!! Como é gostoso ler a Bíblia. Virei professor de Bíblia. Graça a Deus e aos professores que passaram na minha vida. 

Hoje eu recordo de todos os meus professores, de meus pais e de meus padres. Todos me ensinaram de uma forma ou outra. E penso no futuro de meu país, de nosso Brasil.

Há muito nossos professores foram abandonados pelo poder público. A política salarial é uma vergonha. Nossos professores ganham muito mal. Isso é sabido por todos. Não há política de incentivo e de valorização da carreira. 

Por outro lado, os professores são vítimas da violência em sala de aula. A figura do professor não é respeitada. Isso também é fruto de uma péssima política educacional.

O fato é que nenhum país no mundo se ergueu sem a valorização de seus professores. Vários problemas que temos no Brasil são frutos do descaso que nossos governos têm em relação à política educacional.

Estamos em época de eleições e nenhum dos candidatos apresentaram uma política clara de valorização do professorado brasileiro, de seu plano de carreira e de um verdadeiro aumento salarial que incentive e reconheça a importância de nossos professores.

Em países sérios, há grande disputa e concorrência pela carreira de professor, pois ser professor é uma carreira bem remunerada, aparelhada e reconhecida. Mas, no Brasil, cada vez mais há falta de interesse pela carreira de professor pois, a baixa remuneração, os problemas com excesso de trabalho e pouco tempo para formação e atualização, a falta de incentivo e respeito falam alto demais.

Nesse dia do professor, lembro-me de tantos docentes que, apesar de todas as adversidades, dedicam suas vidas ao ensino e à educação, mesmo não sendo reconhecidos e valorizados. 

Nosso Brasil ainda está de pé porque existem professores. Nossos políticos nada resolvem e nada propõem. Nossos governos são ineficazes e incompetentes. Restam nossos professores. Nesses podemos ainda confiar. Parabéns professores, pois vocês ainda são o presente e o futuro de nosso país.





terça-feira, 14 de outubro de 2014

Padre de Batina ou sem Batina?


Um fariseu convidou Jesus para jantar em casa. Jesus entrou, e se pôs à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tinha lavado as mãos antes da refeição. (Lc 11,37-38)

Há alguns meses fui celebrar a Missa numa comunidade em nossa arquidiocese. Cheguei na comunidade com minha mochila. Nela trazia as vestes litúrgicas, a liturgia diária e meu tablet.

Eu trajava minha tradicional calça de tactel, camisa polo da campanha da fraternidade, minha cruz peitoral simples (eu não sou bispo!) e sandálias aos pés (coisa de franciscano).

Sentei-me num banco, atrás de dois rapazes. Eles conversavam sobre coisas da Igreja. Falavam num tom no qual era impossível não ouvir. Falavam sobre as missas da novena da padroeira da comunidade. Falavam dos padres que presidiram os primeiros dias da novena. Eu celebraria o oitavo dia.

Os rapazes não perceberam a minha presença. Falavam agora do jeito de cada padre: como se vestiam, como se portavam, como rezavam, etc.

Aqui estou mulambento (o bebê salva!)
Sem saber que eu estava atrás, começara a falar de mim, pois eles já me conheciam. Interessante foi que eles tinham opiniões divergentes. Um falava que eu era um padre legal, que era inteligente e sabia muito de Bíblia. O outro dizia que eu era relaxado, “mulambento”, e não tinha “cara" de padre. O primeiro falava que minhas homilias eram profundas e bem preparadas. O segundo dizia que eu era um palhaço e brincava muito na homilia. 

A discussão acabou quando o primeiro olhou para trás, me viu e deu um “toque” para seu amigo. Eles ficaram envergonhados sem motivo. Achei a conversa deles interessante e sincera. Em momento algum me senti ofendido. Celebrei a missa com o mesmo amor com que celebro todas as missas.

Nós padres somos diferentes uns dos outros. Nos vestimos de forma diferente, falamos de forma diferente, rezamos de forma diferente, trabalhamos de forma diferente, etc. Mas todos somos padres da mesma Igreja e estamos a serviço do mesmo Deus. Cada um tem seu talento, seu carisma. Cada um tem seus defeitos e limitações. Mas todos somos padres de verdade!

Mesmo que o rapaz me ache um palhaço “mulambento”, ele estava lá para participar da Eucaristia que eu presidi. Sua fé fez com que ele visse o próprio rosto de Cristo na “cara" de um padre que não tinha “cara" de padre! Ele prefiria me ver de batina preta e sobrepeliz, mas aceitou um padre de túnica branca e estola (sem casula). Ele recebeu o Corpo Santo do Senhor pela minhas mãos e com fé comungou no amor. Todo o preconceito não foi capaz de reduzir sua fé no fundamental.

Aqui não estou mulambento! Minha cara aqui é de frei!
Como padre sinto-me amado pelo povo e odiado pelo mundo. O simples fato de ser padre faz com que o povo nutra um profundo sentimento de respeito e admiração. Isto com ou sem batina. O mero fato de ser padre faz com que as forças desse mundo se coloquem contra o padre com ou sem batina.

Além da batina existe o padre, sempre amado e odiado, num mundo cada vez menos capaz de se encantar com a ternura de Deus. Neste mundo não precisamos de padres de batina nem de padres sem batina. Neste mundo precisamos de padres com ou sem batina, sérios ou alegres, organizados ou relaxados, administradores ou pastorais, jovens ou idosos, etc… Mas, santos, somente santos.

Eu amo meus padres. Sejam quem eles forem. Eu os amo. Aprendi a rezar por eles. Por nós! 

Continuo usando calça tactel, camisa da campanha da fraternidade, cruz e sandálias. Mas, me sinto mais padre do que nunca. Paz e bem a todos!!!



Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, ensinai-me a ver além das aparências e perceber que o interior é mais importante que o exterior. Cuidai de todos os padres para que possamos viver vosso Evangelho de todo o coração. Assim seja! 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Os bestas e o número da Besta

Que Medo!!!
Disse Jesus: "Pai, não peço para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do Maligno". (Jo 17,15)

Recentemente atendi uma pessoa que pertence à igreja adventista do sétimo dia. Veio com aquela conversa mole de que ama os católicos e que deseja a nossa salvação. Depois me disse que era preciso abandonar a Igreja Católica porque a coroa do papa traz inscrita o número da Besta.

A passagem bíblica em questão é: “A  segunda  Besta  faz  também  com  que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres  e  escravos,  recebam  uma  marca  na mão  direita  ou  na  fronte.  E  ninguém pode  comprar  nem  vender  se  não  tiver  a marca,  o  nome  da  Besta  ou  o  número  do seu  nome.  Aqui  é  preciso  entender: quem  é  esperto,  calcule  o  número  da Besta; é um número de homem; o número é seiscentos e sessenta e seis.” (Ap 13,16-18)

O adventista me disse que Papa traz em sua coroa o título de "VICARIUS FILII DEI" (O Vigário do Filho de Deus) e que as letras desta frase equivalem a 666 em números romanos. Eis a conta:

V
I
C
A
R
I
V
S

F
I
L
I
I

D
E
I


5
1
100


1
5



1
50
1
1

500

1
=
666

V=5; I=1; C=100; I=1; U=5; I-1; L=50 ; II=2; D=500; I=1. Somado = 666 (seiscentos e sessenta e seis). Como você pode ver as letras A, R, S, F e E não representam números romanos, por isso são dispensadas.

Não fiquem com medo meus amigos e minhas amigas. Na verdade, a coroa papal não traz nenhuma inscrição e o titulo que damos ao papa é "VICARIUS CHRISTI" (O Vigário de Cristo). Esse título não dá 666.

Expliquei isso ao amigo adventista e aproveitei para lembrá-lo que a grande profetiza e teóloga adventista é ELLEN GOULD WHITE.

Pedi para ele fazer suas contas com o nome da grande mãe dos adventistas e olha só o que deu:

E
L
L
E
N

G
O
V
L
D

V
V
H
I
T
E



50
50





5
50
500

5
5

1


=
666

           
Bingo!!! Usando os números romanos e lembrando que W = V+V. Meu irmão ficou com cara de tacho. Sua grande profetiza tem o número da besta!!! Mas, Ellen G. White é a besta? Não!!! Ela pode até ter sido uma besta, mas não é a Besta!!!

Então, quem é a Besta? É preciso ver o texto em seu contexto. Como dizia meu amigo Frei Perondi: “O Apocalipse é um Livro difícil e fácil ao mesmo tempo. Difícil para quem não entende o  “chão”  onde  nasceu,  qual  era  a  situação  em  que  vivia  o  povo  das comunidades na época em que foi escrito. Mas se torna fácil para quem faz um curso  e  conhece  a  situação.  Portanto,  quem  não  faz  um curso,  não  deve  ler este livro, pois não vai entender quase nada. Ou vai entender errado! Nos  anos  95-96  dC,  o  imperador  romano  era  Domiciano.  Ele  iniciou  uma  dura perseguição  aos cristãos. Muitos irmãos e irmãs nossos foram mortos (crucificados, lançados às feras ou queimados vivos). Muitos foram para as prisões. Comunidades inteiras foram perseguidas e destruídas. Ser cristão era estar “fora da lei”. No meio de tal perseguição, os cristãos se perguntavam: “Onde está Deus? E Jesus, o que está  fazendo?  O  que  Ele  tem  a  nos  dizer?”  O  Apocalipse,  então,  é  uma resposta  de  Deus  e  de  Jesus  ao  povo  que  sofre  e  resiste! É  uma  Palavra  de coragem e de esperança!”

Veja, o número da Besta é o número de um homem: 666.  O número  6  é  o  número  incompleto e por isso representa a  mentira  em hebraico, porque não chegou à perfeição, que é 7 (Só Deus é 7). O  número  6  é  repetido  três  vezes.  Assim como o  Nome  de  Deus  que  é  “Santo,  Santo, Santo” (Is 6,3), a Besta é 666, isto é, ruim, ruim, ruim, fraco, fraco, fraco, mentira, mentira, mentira, etc.  Os cristãos  liam  o  nome  de  CÉSAR  NERO  e colocavam  números  nas  letras hebraicas  e  dava exatamente o número 666. (usarei as equivalentes latinas do alfabeto hebraico)

Q
S
R

N
R
V
N


100
60
200

50
200
6
50
=
666

Nero foi o imperador que desferiu grande perseguição aos Cristãos e sua estátua foi utilizada pelo imperador Domiciano que também lançou terrível perseguição às comunidades cristãs.

Sefie de irmãos que acreditam que o papa é a Besta
Quem é a besta? A Besta é todo império de morte que move perseguição aos discípulos e discípulas de Jesus em todos os tempos, assim como fez César Nero.

Termino lembrando que por causa da Besta tem muita gente besta se fazendo de besta pensando que o papa é a besta. Assim, é melhor não dar ouvidos às bestas que agem como bestas num mundo de bestas.

Deus nos abençoe!!! Paz e bem!!!



Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, sois a força que habita os corações daqueles que lutam pelo amor. Fazei eu que possa ter discernimento para não cair nas ciladas da idolatria de nosso tempo. Que eu leve em minha fronte a marca do vosso amor contra a marca do príncipe deste mundo. Que eu reflita a vossa luz. Assim seja!




Pe. Demetrius Silva